terça-feira, 8 de agosto de 2017

Margarida e seus 80 anos... e Donna!


Margarida, a namorada do Pato Donald, na verdade, se chama Daisy Duck. No Brasil, como era costume, o nome foi mudado para Margarida, talvez, porque, na época, mulheres eram consideradas delicadas como flores. E Margarida era uma patinha linda, toda feminina, remetia a essa beleza floral, correspondendo bem ao nome, até o momento em que mostrava seu lado temperamental onde não gostava de sentir subestimada por Donald.




Sua origem levanta uma questão interessante, pois o Donald já contracenou com uma outra pata. Seu nome era Donna.


Lembro-me dela em um curta-metragem, aqueles tantos episódios da Disney que passaram infinitas vezes nas manhãs da Rede Globo e enchiam nossos corações de alegria por se tratar de obras tão caprichadas, bonitas, interessantes e divertidas. 

Esse era um grande diferencial dos Estúdios Disney de antigamente: promover animações curtas com um grau de sofisticação e esmero nunca visto antes. Tanto que acabaram sendo referência mundial aos concorrentes diretos como os Looney Tunes, o Pipa-pau, entre tantos outros.

Donna surgiu em 09 de Janeiro de 1937, portanto, há 80 anos, criada por Al Taliaferro (Charles Alfred Taliaferro), para o desenho animado intitulado "Don Donald", dirigido por Ben Sharpsteen, e roteiro atribuído a Merrill De Maris, Webb Smith e Otto Englander. A voz original de Donna é de Clarence Nash, mundialmente conhecido pela voz do próprio Donald, e a música é atribuída a Paul Smith (até isso conseguimos saber agora, com a Internet).

Margarida, como a conhecemos de fato, veio apenas em 07 de Junho de 1940, portanto, há 77 anos, para o episódio "Mr. Ducks Steps Out (No Passo do Sr. Pato)", com créditos atribuídos a Jack King na direção. Jack Hannah, Frank Tashlin e Carl Barks compõem o roteiro. Sim. Carl Barks, o nosso tão aclamado Mestre Disney, o "pai dos patos", é um dos responsáveis pelo roteiro. Clarence Nash, novamente, fez as vozes originais de Donald e Margarida. A música é atribuída a Charles Wolcott.

Há quem diga que ambas são a mesma pessoa. A própria Disney chegou a afirmar isso, em 1999, através de uma inscrição em uma peça colecionável da Margarida, escrito: "Daisy Duck, como Donna Duck, em 1937".


"Don Donald" se passa no México. Vestido à caráter e no lombo de um jumento, Donald se encontra com Donna que, desde então, já apresentava as maiores características da Margarida: a delicadeza e a feminilidade à flor da pele, assim como a mudança brusca de humor, a irritação, a falta de paciência e a forma desastrosa como conduz as coisas quando se sente contrariada. Logo constatamos que a animação mostra um jogo bem-humorado de sedução, onde amor e ódio coexistem o tempo todo, devido ao temperamento volúvel de ambos.






"Mr. Ducks Steps Out (No Passo do Sr. Pato)" já mostra Donald em sua casa, preparando-se todo feliz e confiante para um encontro especial. Chegando à casa de Margarida, surpreende-se ao ver Huguinho, Zezinho e Luisinho. Os três patinhos é que são os responsáveis por expor o lado esquentado de seu tio, pois não dão uma trégua, estão sempre atrapalhando o momento especial de Donald e Margarida. Ela, por sua vez, tem uma participação bem mais feliz e radiante. Ainda bem!







Aos mais leigos, é fácil considerar Donna como sendo a Margarida. Não há nenhum problema nisso. Entretanto, quando começamos a fuçar e a pesquisar, surge um mar de informações. Vemos que essa questão fica um tanto quanto conflituosa, uma vez que esse desenho acabou ganhando uma proporção maior do que realmente é.

"Don Donald" pode ser atribuído, historicamente, à primeira aparição de Margarida como Donna, como se ela interpretasse tal personagem - algo até bem comum aos personagens Disney. Para fundir ainda mais a cuca, Donna reaparece em outro material (várias tiras de jornais), em 1951, continuamente, como uma antiga rival de Margarida.



Por tudo isso, acredito que, atualmente, é permitido aos produtores e desenhistas brincarem com o fato, uma vez que já é possível encontrar material mais recente incluindo Donna.


Esta edição do Pato Donald n° 2469 (Julho de 2017) é um bom exemplo: a revista abre com uma HQ homenageando o aniversário de Margarida. Ela se vê chateada por ter ficado de fora de uma aventura dos patos (Donald, Patinhas, Higuinho, Zezinho e Luisinho) e, como forma de autoafirmação, começa a escrever e a se projetar como protagonista de vários tipos de tramas de ficção que vai postando na Internet.


Cada uma dessas tramas trazem referências sobre Margarida, através dos tempos, desde a animação de TV, passando também pela disputa romântica entre Donald e Gastão, pelo cunho aventureiro como a Superpata, a fase tia, onde vemos Lalá, Lelé e Lili (que coisa boa foi inserí-las) e a fase de sempre: em casa, com Minnie, conversando sobre assuntos rotineiros.






Nessa parte, os traços estão diferenciados (não sei porquê), ambas comem um bolo e uma situação muito cômica acontece. Rachei de rir.


E, de repente, em outra parte, quem aparece? Donna! A própria Donna, rivalizando com ela como melhor cantora de um clube de jazz. 


Essa história foi bem rica pelas referências, bem criativa, com uma arte bastante caprichada entre desenhos e cores, sem falar que me arrancou altas risadas. Penso que foi uma bela homenagem à personagem. Mais simples do que costumamos ver, é verdade, pois muitos leitores mais assíduos esperavam encadernados de luxo ou alguma edição mais específica a respeito desses 80 anos, o que não aconteceu, porém, essa HQ mostra como algo mais simples também pode ser legal e cumprir bem o seu papel de homenagear. 

Na minha opinião, essa trama poderia ter sido inserida no novo Almanaque Disney, pois ela é bem focada na Margarida (e não no Donald), que não tem mais revista própria e seria um ótimo material inédito para a reforçar ainda mais a nova premissa do Almanaque Disney. Poderia, também, acompanhar páginas informativas a respeito dela (no mínimo, umas três ou quatro), como gostamos de ver em situações excepcionais dessa natureza.  


Margarida chegou a fazer muito sucesso com sua revista própria, criada pela primeira vez em Julho de 1986 e que durou 257 edições, até Fevereiro de 1997. Retornou depois, em Setembro de 2004, tendo apenas 25 números, terminando em Janeiro de 2007, período em que as publicações Disney sofreram drásticas alterações de padrão, diminuindo páginas e obtendo uma distribuição bastante irregular, tornando-se cada vez mais difícil, ao longo dos anos, de serem encontradas nas bancas. 


Ela também teve duas séries de almanaques, é verdade, com bem pouca duração. A primeira, ainda durante a primeira série de sua revista, contou apenas com duas edições (Novembro de 1988 e Julho de 1996). Para variar, um conflito: onde estava a n° 2? Havia a n° 1 e, depois, a n° 3! Como assim? A editora atribui o fato a um mero descuido de digitação, portanto, a n° 3 é, na verdade, a n° 2. A outra série, com quatro edições, trouxe a numeração toda certinha, para não criar mais esse tipo de confusão. Ela começou em Dezembro de 2010 e terminou em Novembro de 2012.



Desde, então, é possível acompanhar suas participações (pequenas ou grandes), esporadicamente, nas mensais do Donald e do Patinhas.

A Abril Jovem merece todos os elogios e um imenso respeito por cuidar tão bem das publicações Disney.


Donna, Donald e Margarida - imagens diversas:
A Walts Through Disney
Disney Wikia
Wikipedia
Donald Duck - Duckpedia
Donna Duck Gifs,
Pinterest
Rebloggy
Tumblr

Capas das revistas da Margarida e Almanaques:
INDUCKS

Pato Donald n° 2469: meu exemplar.


Abraços a todos.

Fabiano Caldeira.


6 comentários:

  1. Parabéns...belíssima matéria...só lamento por essa patinha apaixonante não ter mais o gibi dela no Brasil..com antes!! Porra E.Abril... :p

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    1. Quem sabe, um dia, a revista volte. Tudo é possível.

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  2. Parabens Fabiano,sei que BD é um amor grande que tens,e Margarida e9 linda e adoro ler livros dela.Bjs

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