segunda-feira, 24 de julho de 2017

O Cão e a Raposa - o LP


Antigamente, em um mundo onde poucos tinham televisão  a cores e o som 'da hora' era uma vitrola minúscula com alto falante de baixa potência embutido, os LP's infantis eram uma ótima opção para distrair a criançada.

"O Cão e a Raposa" é  um bela história que tive o prazer de ouvir muitas vezes. Ganhei o LP quando bem criança, de minha tia paterna chamada Geni. Ela sempre me presenteada em datas como aniversário,  Natal  e Páscoa.  Eu achava o máximo  esperar por ela, que sempre chegava muito mais tarde do que eu imaginava e, com isso, o suspense e a expectativa tomavam conta do meu pequeno coraçãozinho.

Esse LP é um dos melhores presentes que ela me deu. Meu pai já tinha me comprado, tempos atrás,  um outro, com a história  do Pinocchio e  dos três porquinhos. E eu, criança bastante inocente que fui, achava meio mágico ouvir um toca-discos falando comigo, tocando as musiquinhas para mim e as vozes diferentes dos personagens. Eram um encanto. rsrsrs....

Vinil Records

Vinil Records

"O Cão e a Raposa" trazia uma arte bem caprichada dos dois personagens principais. Na contracapa, o pequenino Mickey em seu visual mais clássico foi o que roubou toda a minha atenção. Eu o achava engraçadinho. O disco era amarelo. Eu já tinha um branco, de cantigas de roda,  e então passei a ter aquele amarelo com o castelo da Disney e um arco-íris desenhado no selo.

Vinil Records

A história consumiu os dois lados. Era bem mais longa, comparando aos demais contos de outros álbuns na época. Havia muitas canções, todas muito bem elaboradas e gostosas de ouvir. Aliás, toda a sonoplastia era impecável.  Se o ambiente era a floresta, ruídos  característicos eram colocados, assim como o momento em que o caçador engatilhada sua arma e o trem passando e atingindo o cão. Todos esses sons eram mixados à narrativa e às vozes dos personagens, propiciando compreender tudo o que se passava na trama.

E o enredo? Afinal, o que contava "O Cão e a Raposa"? Um cão ainda filhote estava sendo treinado para ser um caçador. Em um desses momentos, eis que ele encontra sua caça: um filhote de raposa. A inocência da infância não lhes permitiam assimilar que um era o caçador e o outro a caça. Os dois começaram a conversar e a brincar. Tornaram-se amigos, para desespero do treinador de Toby (o cão) e a dona de Dodó (a raposa macho), que se viu obrigada a cuidar para que o filhote não fosse buscar pelo amigo. Aliás, coube a ela o momento mais comovente de toda a trama: o dia em que ela devolveu Dodó à natureza.

"É triste a despedida. Adeus parece o fim. Mas guardarei para sempre você em meu coração."


O tempo passou e ambos se tornaram adultos. O cão bobinho se tornara um caçador nato. A raposa cresceu em meio aos amigos que foi conquistando na mata. Toby e Dodó se reencontraram. Ambos deram-se conta de quem eram e que os tempos eram outros. E toda aquela amizade? Continuaria?

Personagens como a Mamãe Coruja (sempre atenta ao que se passava com Dodó, interessada em aconselhá-lo sobre os perigos do mundo), o Samuel Guerra (que exigia dureza constante de seus cães de caça) e até o próprio Chefe (o cão de caça mais velho, encarregado de tornar Toby tão astuto e valente quanto ele) foram de grande importância ao contexto da trama, com suas presenças bem elaboradas, significativas e proveitosas até o último segundo de suas atuações.

Só depois de muito tempo foi que fiquei sabendo que o disco nada mais era do que uma versão do desenho homônimo. Pelos trechos disponíveis no YouTube, a sonoridade é a mesma, exceto o narrador (foi retirado, já que o desenho não precisa dele). Embora não tenha como ouvi-lo, guardo o LP até hoje.

Abraços a todos.

Fabiano Caldeira.



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Peço educação e gentileza na troca de ideias. Obrigado!