sábado, 27 de maio de 2017

A volta do Almanaque Disney - considerações

O Almanaque Disney está de volta, publicado pela Abril Jovem, retomando a continuação numérica após cerca de doze anos de hiato. A partir de 20 de Junho, a revista volta às bancas contendo 100 páginas, preço de R$ 9,90 (nove reais e noventa centavos) e a prioridade de inserir aventuras inéditas em meio a algumas republicações. Segundo a própria Abril Jovem, grande percentual da revista será inédito, ou seja, trará HQs nunca antes publicadas aqui. 


O título também ficou marcado por comportar uma grande diversidade de universos 'disneyanos' - personagens como o indiozinho Havita, por exemplo, Ursinho Puff, Quincas, Mogli entre outros que dificilmente apareciam nas demais revistas, além das seções "Maravilhas da Natureza" e "Zoo Disney". 

Particularmente falando, o que percebi que devemos esperar dessa volta são mesmo as histórias inéditas. Há muito material que ainda não veio para cá. Será que o foco estará nas tramas mais icônicas e recentes? 

Um bom exemplo é "Ratópolis": produzida em Janeiro deste ano, na Itália, a HQ homenageia o filme "Metrópolis", uma ficção científica de Fritz Lang, feita há 90 anos (saiba mais aqui)

"Ratópolis" já está publicada em Disney BIG n° 45, que acabou de chegar às bancas. 


Será que teremos histórias inéditas antigas? Aquelas que já contam com mais de 20 ou 30 anos e ainda não conhecemos? Certamente que elas não possuem apelo midiático, Por isso, a dúvida: O que veremos, de fato, na retomada do Almanaque Disney? 

Estou otimista. Há tempos venho expressando satisfação para com os quadrinhos publicados nas revistas mensais, que trazem roteiros e desenhos de qualidade, proporcionando bom divertimento. Acredito que Almanaque Disney cumprirá bem o seu papel. 

Ainda me lembro do tempo em que era difícil encontrar uma revista em quadrinhos regular da Disney nas bancas. Cheguei a pensar que nunca mais veria um gibi do Mickey ou do Donald. A Abril passou por muitos momentos delicados, algumas vezes, consequência dos péssimos momentos financeiros do país. Em outras, coincidência ou não, uma recessão de leitores que acabaram migrando para outras bandas e formas de lazer. 

Em meio a uma longa trajetória de muito sucesso, vieram também vários tropeços e quedas. As publicações Disney foram se tornando cada vez mais escassas, difíceis de serem encontradas. Tudo levaria a crer em um fim iminente. Porém, mesmo rastejando vagarosamente e quase sem forças, as publicações continuaram. E por algum motivo foram ganhando fôlego e se fortalecendo, cada vez mais, reerguendo-se novamente, multiplicando-se e trazendo novidades. 

Hoje, tanta luta está aí, em vários títulos consolidados, outros retomados... e até em edições de luxo estão investindo! 

É verdade que nem tudo é perfeito. E não podemos fechar os olhos às falhas, Entretanto, fico me perguntando se alguma outra editora teria essa mesma garra, jogo de cintura e paciência para driblar as dificuldades a fim de manter toda essa longevidade dos quadrinhos Disney. 

A Abril Jovem merece todo o respeito, o reconhecimento e uma salva de palmas por todo o material Disney que tem nos entregado até aqui.


Abraços a todos.

Fabiano Caldeira.


quinta-feira, 25 de maio de 2017

"Unboxing" mais que especial Disney


Neste vídeo, abro pacotes de duas revistas Disney que considero bem especiais.

Segue o contato desses ótimos vendedores de revistas em quadrinhos:

Andrei Nunes
https://www.facebook.com/profile.php?id=100012172687529

Marcelo Borba
http://www.maniacomics.com.br/loja





Inscrevam-se no meu canal do You Tube!

Abraços a todos.

Fabiano Caldeira.



terça-feira, 23 de maio de 2017

Disney BIG n° 1 brasileira


Em Dezembro de 2008 a primeira Disney BIG brasileira veio à tona. Diferente das 500 páginas da Italiana, criada em Maio do mesmo ano, até hoje a nossa BIG contém cerca de 300 páginas de quadrinhos + capa, contracapa e índice das histórias. 


Além disso, as primeiras cinquenta páginas de HQs não trouxeram nada de especial. Ela abriu com um Mestre Disney que ganhou minha admiração e respeito, o Marco Rota, que sempre tem boas histórias, porém, é preciso admitir que, para uma primeira revista de um título de peso, não foi uma boa escolha.

Em seguida, veio uma da fase do Mickey pateta, que são roteiros bem simples onde o rato tem ações e reações que desagradam aos seus leitores mais acostumados em vê-lo envolvido em casos de investigação agindo quase como um Sherlock. Lembro que muitos expressavam no finado Orkut o descontentamento por essas histórias simples onde diziam que o Mickey mais parecia o Pateta, que isso era chato, que descaracterizaram a personalidade dele etc. 

Depois, vieram três HQs com a produção brasileira, o que seria ótimo desde que, antes, já tivéssemos passado por alguma aventura realmente icônica, o que não aconteceu. As produções brasileiras, por mais divertidas que sejam, não chegam a ser consideradas extremamente necessárias, importantes, ímpares, pois elas possuem situações apenas cotidianas e não refletem nenhum marco ou acontecimento de destaque, não trazem nenhum diferencial a ponto de serem consideradas grandes aventuras no mesmo patamar de Carl Barks, por exemplo, e até mesmo do Paul Murry que, por meio de toda sua simplicidade (às vezes irritante), transmitiu, sim, certa genialidade às aventuras do Mickey. Então, dentro deste contexto de início da número um, essas três histórias brasileiras apenas proporcionaram um começo morno ao Disney BIG.

Somente depois das mais de cinquenta páginas de enrolação é que o público finalmente conseguiu, de fato, acompanhar aquela que deveria ter sido a HQ que abriria com chave de ouro o título: 

A PRIMEIRA INVENÇÃO DO PARDAL - NASCE O LAMPADINHA tem duas partes e mostra a criação daquele minúsculo ajudante do Prof. Pardal. Não sei se houve outra versão. Don Rosa merece o devido respeito por se fazer notável pelas suas obras. E esta não é uma exceção.


Se tivessem aberto a revista com esta obra-prima de Don Rosa, inserido as duas do Marco Rota logo após e, em seguida, as três brasileiras, com certeza, minha impressão subiria horrores. Para quem acredita que a ordem dos fatores não altera o produto, eis aqui um belo exemplo de que altera sim. 

Ainda sobre essa origem do lampadinha, ela foi republicada na série atual do Disney Especial  - Os Cientistas, lançada em Julho de 2016. 

Don Rosa reapareceu com as obras: DE VOLTA A TRÁ-LÁ-LÁ e FUGINDO DO VALE PERDIDO, que fechou a edição.



Outras HQs que destaco:

O FANTASMA QUE TINHA FOME 
roteiro: Carl Fallberg - desenhos: Paul Murry
Publicada em Tio Patinhas n° 32, em Março de 1968,
Disney Especial n° 39 - Os Fantasmas (1a. série), em Novembro de 1978,
Disney Especial Reedição n° 38 - Os Fantasmas, em Fevereiro de 1987,
Novo Disney Especial n° 11 - Os Fantasmas, em Agosto de 2003 e
na série atual do Disney Especial - As Assombrações, em Junho de 2016.




AS SUPERFORMIGAS 
roteiro: Arthur Faria Jr. - desenhos: Euclides K. Miyaura
Publicada em Almanaque Disney n° 187, em Dezembro de 1986,
Zé Carioca n° 1933, em Março de 1992 e
novamente em Almanaque Disney n° 346, em Maio de 2002
https://coa.inducks.org/story.php?c=B+860106



O COLAR SAGRADO
roteiro e desenhos: Marco Rota
Publicada em Tio Patinhas n° 435, em Outubro de 2001
https://coa.inducks.org/story.php?c=D+2000-061


Agora vocês já têm uma ideia de como são as Disney BIG n° 1 italiana, portuguesa e brasileira. Aqui (no Brasil), ela ainda é publicada sob qualidade relativamente boa, o que normalmente acontece aos títulos com grande números de páginas que, com o tempo, vão passando por transformações. Há edições muitos boas e outras nem tanto. Ela já foi toda destinada às republicações. Hoje, inclui aventuras inéditas. 

Falando nisso, chegou às bancas Disney BIG n° 45, que traz RATÓPOLIS. A obra faz alusão ao filme METRÓPOLIS, de Friz Lang, produzido há cerca de 90 anos e considerado um grande ícone do expressionismo alemão. Você pode saber mais sobre esse histórico filme aqui ou aqui


Postagens anteriores de Disney Big n° 1


Abraços a todos!

Fabiano Caldeira.




sábado, 13 de maio de 2017

Disney BIG n° 1 portuguesa

Enquanto Disney BIG teve seu marco na Itália e no Brasil em 2008, Portugal começou a investir nela somente em 2013, logo no dia primeiro de Agosto. 


Anunciada com 512 páginas, ela não só trouxe a padronização italiana. Ela é quase uma réplica da edição n° 22, publicada em Fevereiro de 2010, lá na terra pizza.

Seja como for, os portugueses foram bastante agraciados com uma seleção de aventuras que parecem ser bastante divertidas e ainda não vi publicadas aqui. Alguns exemplos:

O TESOURO DE AMUREI - obra de Abril de 1975
Trata-se de mais uma clássica aventura dos "patos aventureiros" em busca de um tesouro.
roteiro de Rodolfo Cimino, desenhos de Romano Scarpa e arte-final de Sandro Del Conte


O GELO AZUL E O CANTO DAS SEREIAS - obra de Fevereiro de 2004
Mais recente e bem curiosa, com uma aventura dos nossos "patos aventureiros" em busca de um tipo de gelo no Polo Norte e parece que se deparam com... sereias??? 
roteiro de Rodolfo Cimino e desenhos: Luciano Milano


O DESAPARECIMENTO DAS NEGRITAS - obra de Maio e 2000
Indiana Pateta em um roteiro que visa encontrar alcaçuz, matéria prima de suas balinhas preferidas. Com 26 páginas, imagino que deve ser muito boa ou ruim demais.
roteiro de Bruno Sarda e desenhos de Nicola Tosolini


A MALDIÇÃO DO FEITICEIRO - obra de Novembro de 1977
A Abril se propôs a publicar uma série de aventuras roteirizadas pelo Jerry Siegel na revista do Tio Patinhas, há alguns anos, e até usou o 'lobby' de ele ser conhecido pelo seu trabalho com o Superman. O fato é: no INDUCKS não aparece esta publicada no Brasil. Será que ainda virá algum dia? Já fazem 39 anos...
roteiro de Jerry Siegel e desenhos de Giuseppe Perego


MOTA DE SARRILHOS - obra de Março de 1993
Não faço a menor ideia do que seja, mas parece uma competição ao estilo do que vimos por aqui em "RACEWORLD",  que foi fantástica, por sinal. Esta aventura tem duas partes. Uma com 29 páginas e outra com 32.
roteiro de Carlo Gentina e desenhos de Francesco Guerrini



Há um apanhado de publicações que vieram pra cá. Elas focam no personagem Batista, aquele mordomo do Patinhas que é sempre esculachado. 

Uma delas, A DEMISSÃO DO BATISTA (roteiro de Rodolfo Cimino e desenhos de Guido Scala - Junho de 1997) foi publicada no volume 2 de "Tio Patinhas - 50 anos da revista". O que ela tem de especial para ser adicionada a uma revista com tal viés comemorativo? Não sei! A exemplo de "As Muitas vidas do Pato Donald", este título veio até nós com a premissa de se tratar de algo icônico, porém, trouxe apenas inéditas as quais, apesar de serem divertidas, poderiam ser publicadas em qualquer mensal do pato quaquilionário de Patópolis. Gato por lebre.


E tem uma outra, O MODELO PERFEITO (roteiro de Manuela Marinato e desenhos de Giorgio Cavazzano) que foi produzida em Novembro de 1996, publicada aqui em Tio Patinhas n° 393, em Abril de 1998, e também em uma tal de Disney Apresenta, que não tem numeração nem data, mas foi uma edição que realmente existiu, haja vista que foi indexada no INDUCKS pelo Rogelho Aparecido Fernandes Júnior. A data, de Fevereiro de 2016, é de quando ele indexou a publicação. Mistério!!!


Mas, o que eu queria mostrar mesmo é O LEQUE DA BELEZA (roteiro de Rodolfo Cimino e desenhos atribuídos ao Comicup Studio). Feita em Dezembro de 1991, deu o ar da graça em páginas brasileiras somente em Abril de 1998, no Almanaque Disney n° 335. Trata-se de uma daquelas artimanhas que a Maga Patalójika faz para tapear o Patinhas e passar a mão na moedinha da sorte. O curioso é que essa edição traz histórias com Timão & Pumba, Pocahontas, Mulan, Darckwing Duck, Urtigão e vários outros núcleos, digamos, inusitados. Segundo o INDUCKS, ela nunca foi republicada. Interessante!




No geral, a Disney Big n° 1 portuguesa tem muita coisa boa, pois várias aventuras foram criadas pelo Rodolfo Cimino, um Mestre Disney que merece todo o nosso respeito, consideração e carinho - um batalhador que conseguiu com bravura aquecer a produção de quadrinhos Disney em uma época onde as produções de outros países estavam enfraquecendo e até pararam de vez, como foi o caso do Brasil e os EUA. Restou-nos a produção italiana que, com seu time de artistas, supriu com maestria a carência de demanda por material novo. 


Abraços a todos.

Fabiano Caldeira.


sábado, 6 de maio de 2017

Disney Big n° 1 italiana


Na postagem anterior, expressei algumas considerações acerca da Disney BIG n° 1, um título italiano que veio para o Brasil, ganhou Portugal e permanece firme e forte em circulação aqui há mais de oito anos.


A n° 1 italiana me deixou curioso pelo fato de algumas publicações terem vindo, não faz muito tempo, na coleção "Essencial Disney" e "As Muitas Vidas do Pato Donald". Além disso, há duas tramas que vieram ainda nos anos 70:

A MOEDA MICROFÔNICA
roteiro: Michele Gazzarri - desenhos: Luciano Gatto
Almanaque Disney n° 66 - Novembro de 1976
https://coa.inducks.org/story.php?c=I+TL++727-A


A HERANÇA DOS METRALHAS
roteiro: Osvaldo Pavese - desenhos: Giulio Chierchini
Almanaque Disney n° 98 - Julho de 1979
https://coa.inducks.org/story.php?c=I+TL++688-C



Agora coloco três aventuras que ainda não temos aqui e me chamaram a atenção:

O CASO DOS CIENTISTAS PERDIDOS
roteiro: Giorgio Pezzin
desenhos: Massimo De Vita
obra de Agosto de 1990
https://coa.inducks.org/story.php?c=I+TL+1813-A


O SARCÓFAGO EGÍPCIO
roteiro: Giampaolo Barosso
desenhos: Giorgio Cavazzano
obra de Novembro de 1969
https://coa.inducks.org/story.php?c=I+TL++727-C


AS RÃS SALTADORAS
roteiro: Romano Scarpa
desenhos: Romano Scarpa
arte-final: Sandro Del-Conte
obra de Janeiro de 1984
https://coa.inducks.org/story.php?c=I+TL+1468-AP



Na próxima postagem farei breves considerações sobre a edição portuguesa de Disney BIG n° 1. 

As imagens que estão vendo vieram do site INDUCKS: um ótimo meio de pesquisa das publicações Disney. Coloquei alguns links de fácil acesso a ele, embaixo das histórias que destaquei.


Abraços a todos.

Fabiano Caldeira.



quarta-feira, 3 de maio de 2017

Disney BIG n° 1 - considerações

Hoje quero falar um pouco de Disney BIG, uma publicação italiana com cerca de 500 páginas e acabou vindo para o Brasil com 300. Ambas tiveram sua primeira edição em 2008  - em Maio, na Itália e, em Dezembro, no Brasil. O título tornou-se promissor, firme e forte. A aceitação foi tão grande que Portugal também resolveu ter sua BIG, espelhando-se na italiana, em Agosto de 2013.

Pela BIG italiana é que percebo que muitas aventuras bem legais ainda não vieram ao Brasil. Será que um dia virão? Espero que sim! Muitas tramas já são bem antigas por lá e a chance de encabeçarem as edições nacionais acaba sendo pequena à medida que o tempo voa e o foco da Abril Jovem acaba se dispersando entre as edições de luxo que são um verdadeiro tesouro e vem ganhando cada vez mais público.

Seria bom se os prezados editores e licenciadores das HQs Disney, que agem tão bem nas seleções das mensais, tivessem esse mesmo olhar cuidadoso e carinhoso para com tantas aventuras antigas que ainda não vieram para cá e podem ser facilmente localizadas pelas numerações BIG italianas. Afinal, nós, leitores Disney, amamos o material que recebemos e por isso queremos desfrutar de todas as boas produções que são colocadas lá fora. 



Abraços a todos.

Fabiano Caldeira.


segunda-feira, 1 de maio de 2017

Falhas nas publicações Disney que não podem acontecer

Eu não canso de repetir o quanto sou grato pelas revistas mensais da Disney publicadas pela Editora Abril. Sempre há um meio de entretenimento e diversão com as histórias selecionadas em algumas daquelas edições. Nunca fui um consumidor grande, daqueles compram todos os títulos. Eu sempre tive que escolher entre uns e outros. Há meses que consigo comprar Mickey, Pato Donald, Pateta e Zé Carioca. Muitas vezes, compro apenas Mickey, por exemplo, mas o que impota é que tenho, de alguma forma, adquirido meus quadrinhos Disney e cuidado muito  bem deles. 

Chegou a hora de mostrar um outro lado da moeda. Fiquei muito chateado em ir a uma loja que vende várias revistas em quadrinhos da Disney e constatar que o encadernado de Pateta Faz História deixou um pouco a desejar. É uma opinião minha, que fiquei muito feliz com as divulgações do novo formato da coleção, e agora percebo que podia ser melhor. 


O que pegou foi a falta de novidade para um encadernado que custa R$69,90 (sessenta e nove reais e noventa centavos). Algumas pessoas não ficaram satisfeita com o papel, pois queriam algo como o couché, matte ou similar. Eu, particularmente, não tenho nada contra o típico papel branco mais comum. Acho até legal, pois não tem aquele brilho do couché que chega a irritar a visão quando olhamos para a página em um ambiente que tenha lâmpadas. Acho até que está na hora desse papel branco se tornar padrão inclusive às revistas mais simples, as tais mensais Disney de que gosto tanto, pois está ficando um pouco estranho olhar as aventuras tão bem acabadas digitalmente e, quando vou adquirir a revista, parece que aquela mesma arte ficou diferente. As cores alteram, os traços também. Não é a mesma emoção, embora eu ainda me divirta bastante. 

O fato é que já está acontecendo do papel estar mudando em alguns outros títulos. A Marvel, por exemplo, tem aderido a um papel levemente brilhoso e muito mais branco. Vários títulos desse universo já contam com essa mudança, que tem sido benéfica, pois valoriza a arte, dá maior nitidez e profundidade às cores. A MSP é a concorrente mais próxima do segmento Disney. É um universo infantil bem páreo, similar e de acordo com a proposta de ser gibi para crianças, mas que os adultos também leem. Entretanto, a Mauricio de Sousa Produções, apesar de estar com o mesmo tipo de papel ao da Abril, tem a seu favor os desenhos bem mais simplórios e que são facilmente coloridos. Pega um quadrinho em que estão Cascão, Cebolinha, Mônica e Magali, põe a tal graminha no chão, umas casinhas no fundo e temos um quadrinho cheio de cores alegres. Não há muito o que exigir nesse nicho, portanto, o papel não prejudica em nada. Já  a Abril conta com quadrinhos diferenciados, com cenário melhor, muitos traços, e a colorização tem tido um certo grau de aperfeiçoamento. E esse papel de pão acaba 'amoitando' essas características. Deveria ser o contrário, não é? Se estamos tendo aventuras cada vez melhores e com cores bem bacanas, o certo seria publicá-las em um tipo de material que as realçasse. 

Mas, voltando ao foco, eu estava falando de Pateta Faz História, que é uma ótima coleção de paródias dos maiores nomes da História que são parodiados pelo Pateta de uma forma bem non-sense (sem noção). Como eu ia dizendo, apesar de ter lido críticas a respeito do papel utilizado, o que me incomodou mesmo foi a falta de impacto ao folhear as páginas. Em algumas eu vi até impressões falhas, uma falta que não devia JAMAIS acontecer em uma edição de luxo. E quando falo sobre isso, não se trata de algo pontual em um quadrinho de determinada página. Eu quero dizer que vi PÁGINAS com falha de impressão. Eu não contei, mas pode acreditar que foram algumas. Não muitas. Na verdade, para o consumidor que gosta apenas de exibir o material em sua estante, esse fator nem precisa ser levado em consideração, uma vez que ele normalmente não as lê, não abre, não folheia, então esse indício realmente não deve lhe trazer preocupação. A questão é mais moral. Os encadernados, normalmente, são vendidos lacrados. É difícil encontrar um exemplar para folhear. Imagine você comprando um Pateta Faz História, feliz da vida, e ao chegar em casa, na hora de tirar o plástico que lacra o encadernado, percebe falhas nas histórias mais divertidas? É desagradável!

A capa lembra muito a coleção anterior, lançada há alguns anos, em vários volumes, todos usando uma ilustração simples no meio da capa de tom salmão. Isso não devia acontecer. Poderia ter sido diferente, pois aquele layout de capa ficou enjoativo naquela época. Não devia ter se repetido agora. Mas o que importa é o conteúdo, certo? E o conteúdo é ótimo! Não julguem o produto pela capa, é o que muitos recomendam. 

Outra coisa que me incomodou foram alguns almanaques. Eu vi o Almanaque do Tio Patinhas, Donald, Mickey e Zé Carioca. Eu não entendo porque o Zé Carioca ainda tem um almanaque, sendo que a própria edição mensal já é um repete-te-teco de suas histórias e ainda tem todo um mix envolvendo Morcego Vermelho e Peninha para ajudar a dar uma variada, o que é bem positivo, na minha opinião. Mas que sentido tem um almanaque do Zé Carioca? E aí você o abre e Vê que as cores estão estranhas. "As cores são da paleta original", alguma nota divulga, mas não é bem assim. O problema é de falhas nos tons. Falhas as quais não têm nada a ver com o original. Donald teve páginas trocadas. Em determinado ponto, no meio de uma HQ, você se depara novamente com a página 17 e algumas sequenciais, e aí a sensação é de que a cabeça dá um nó. Como assim? Eu estava lendo outra história. Cadê? Patinhas oscila na qualidade gráfica das HQs. Algumas estavam uma impressão de traço finíssima, no sentido de estarem quase apagados, enquanto outras já tinham as linhas carregadas demais. Eu odeio quando percebo que essas linhas estão muito além do que o normal. Isso acontecia com frequência nas revistas da Luluzinha e do Bolinha na leva de publicações da Porca-Pixel. Sim. Porca, pois era uma editora que tinha uma impressão de traços tão grossa que às vezes sumiam dedos das mãos da Lulu e do Bolinha. Você via que não era típico do desenho, que as linhas sofreram, de fato, alguma alteração. E olha que Lulu e Bolinha são um estilo bem simples! Eu não sei dizer quanto ao Mickey, pois ele pouco me interessou. Enquanto a mensal vem trazendo tramas muito boas, os almanaques nos presenteiam com muito mofo e bolor... [[[cof! cof! cof! Atchimm-Atchimm-Atchimm]]] Ai... Nossa... Confesso que "dem" dá "bra" abrir o "albadaque" do rato. E não bastasse tudo o que já coloquei, há o detalhe que infelizmente não tem como negar: a capa desses almanaques vai amassando de uma forma muito estranha. Ela vai criando umas pequenas lombadas nas laterais. Em qualquer toque nessas lombadas, aquilo vira um amasso, uma ruga que deixa a capa muito feia. O que será que acontece? Será que há uma maneira de corrigirem isso? 

Nas mensais, nenhuma crítica. Conteúdo bacana, impressão bem satisfatória, embora volto a dizer que um papel branco ficaria ainda melhor. Eu amo o Superpato mais simples, aquele da Patópolis atual, e ele tem sido publicado na revista do Tio Patinhas. Porém, não gosto do Fantomius e nem do Superpato futurista, aquele que mais parece um personagem da tosca franquia dos Vingadores no cinema. Sim. eu odiei Vingadores. Os dois filmes. E não verei o terceiro nem que prometam colocar um nu frontal do Stark sem cortes. É muito barulho e heróis com um comportamento muito '"fi-fi" pra pouca história. Pra ter uma ideia do quanto detestei essa franquia, o primeiro filme dos Guardiões da Galáxia é anos-luz melhor aos dois juntos do Vingadores. Que me perdoem os admiradores, mas se eu quisesse ver briguinhas de comadres e uma bomba de meia hora estourando por cada peido, eu vou no portão da minha casa e fico olhando a vida dos vizinhos daqui.

Como podem ver, há várias questões a serem melhoradas nas publicações dos quadrinhos Disney pela Abril Jovem. Acredito que um pouco de boa vontade pode resolver esses pontos. É preciso ter cuidado para com as edições de luxo. A editora tem sido muito bem sucedida nesses lançamentos, que são um verdadeiro tesouro. Deve-se atentar pelo primor na qualidade gráfica do interior desses títulos, em todas as suas páginas, assim cativa-se a fidelidade de seus consumidores. Recomendo um pensamento bem sério no que diz respeito à continuidade dos almanaques. Revistas como Disney BIG e Disney Especial já possuem a lógica de republicações. Não há, portanto, nenhum motivo para insistirem com os almanaques. Pensem bem se vale realmente a pena levar às vendas revistas cujas capas ficam enrugadas, deformadas e trazem páginas trocadas ou com colorização pífia em seu interior. 

Sem dúvida, é sempre melhor escrever algo que impulsiona positivamente o hábito de ler e comprar uma revista. Acho que mudei muito e não me dei conta, pois estou me sentindo constrangido em elaborar esta postagem. Espero que o saldo seja positivo, pois não quero ser o representante de um mau agouro. Tudo o que desejo é que possamos ter publicações que nos façam sentir bem. A Editora Abril é uma das maiores e melhores empresas do ramo em toda a América Latina, portanto, entendo que fazer produtos bons e estar atenta à qualidade (que deve ser a melhor possível) não deve ser encarado como algo tão difícil assim para o porte dela. 

Abraços a todos.

Fabiano Caldeira.