sexta-feira, 16 de setembro de 2016

O que mais falta acontecer em O VELHO CHICO?

O que mais falta acontecer em "VELHO CHICO"? A novela das nove da Globo possui uma ótima fotografia. Desde Pantanal, na extinta Rede Manchete, (que, aliás, é do mesmo autor) que a produção não tinha tanto cuidado com as cenas paisagísticas e as expressões dos personagens. Somos surpreendidos, a todo momento, com um espetáculo de belas imagens que nos mostram o quanto nosso país é lindo, interessante e curioso (pena que anda muito mal cuidado). 

Entretanto, o que começou como uma bela história de luta pelas terras e o amor que ultrapassa a rixa entre famílias (o que não é novidade nessas obras) foi, aos poucos, dando lugar apenas em obsessões doentias pelo poder e um desejo imenso de matar. Cada vez mais, os capítulos estão pesados, sempre focando que é preciso matar, exterminar, acabar com o outro lado para que somente um possa reinar. A forma como tudo isso vem sendo mostrado está ganhando uma repercussão muito ruim. 

Personagens, como Martinho, por exemplo, que teve um início na trama até poético, com direito a Monte Castelo (música da Legião Urbana) como seu tema, em vez de ter sua questão com o pai mais aprimorada, simplesmente foi morto pelo deputado que almeja o trono Saruê - aliás, um deputado que era um borra-botas, sem voz ativa para nada, que subitamente se transformou num psicótico homicida, muito mais doido das ideias que o Ciço, que, por sua vez, era tão destemperado e frio, marcado por uma paixão que nunca veio à tona, segundo ele, por culpa do Santo, seu arqui-inimigo moral, nos dava a impressão de que estava prestes a fazer algo trágico a qualquer momento, mas de repente 'o ser' amansou, começou a raciocinar e ter mais tolerância e paciência. O ódio contra Santo simplesmente ganhou uma diminuída e até começou a dar uns pegas com a empregadinha meio fanha.

E o jovem namorado de Olívia, após a união dela com Miguel, sequer tem aparecido mais. A professora, do nada, resolve ser candidata política - justo ela, que tinha tanto asco por essa atividade. Miguel, que focava toda uma filosofia de cultivo da terra sem agrotóxicos e vida saudável, resumiu-se, agora, a um homem que quer beijar e amar. Até teve uma cena dele mexendo com a terra, para não ficar tão evidente que deixaram de lado todo aquele lance de produtividade e sustentabilidade ecológica e ambiental, mas foi um lembrete diante de tantas cenas que só expressam desejo e paixão pela menina que, até pouco tempo, pensava ser sua irmã. 

Dona Encarnação, do nada, resolve falar com Bento e fazer um acordo com ele em troca de alguns servicinhos nada convencionais. E ela, até então mal conseguia andar direito, saiu da mansão e foi pro mar. 

Para completar, a morte real de um dos protagonistas, ontem, foi de lascar. Domingos Montagner (o Santo) acabou morrendo afogado durante um banho de mar, à tarde, após o almoço. Camila Pitanga (Tereza) esteve com ele e foi ela quem acionou o socorro. E ela quase foi levada junto. Por pouco, talvez um milagre, não perde-se duas pessoas em vez de uma. Eles não sabiam que a região era perigosa e resolveram ficar ali, curtindo a natureza e os encantos daquela parte rio São Francisco. Os artistas da Globo parece que ficam meio que blindados do contato com o povo, né, pois todo mundo que vive ali sabia que aquele local não era bom, menos os atores. Uma fatalidade cruel que só tornou pior uma novela que já deu indícios de que se perdera.

Vale lembrar que um outro ator, um senhor que interpretava o padre Romão, também morreu quando a novela estava em uma fase inicial. Carlos Vereza entrou no lugar como um padre substituto, uma vez que o personagem anterior foi "transferido" de paróquia - algo muito comum nessa atividade religiosa, felizmente.

Resta não esperar nada mais de pesado, sombrio e esquisito até o final dessa etapa. Há quem diga que misturar espiritualidade + lenda nativa + religiosidade + filosofia + obsessão por poder a qualquer preço fez com que desencadeassem forças malignas que agora tomaram conta da novela. Eu digo que tudo o que houve pode acontecer a qualquer outra pessoa. Tanto um direcionado mal-feito da trama quanto a fatalidade por estar em uma região perigosa. Lamentável! Irreparável! Triste demais! Mas nadar em rios é perigoso. Todo mundo sabe. E não tem nada de místico nisso.

Que Deus permita que todos fiquem bem até o término dessa novela.


Abraços a todos.

Fabiano Caldeira.


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