sábado, 11 de junho de 2016

[Quadrinhos] O GRANDE AMOR DO CASCÃO e também O SANFONEIRO

Que a Maria Cascuda é a namorada do Cascão, muitos leitores da turma da Mônica já devem saber. Esse par excêntrico é tão antigo nas HQs quanto a dupla caipira Chico Bento e Rosinha. Cascão até andou aparecendo com outras "candidatas", ao longo da trajetória de publicações pela Editora Abril, entretanto, era nada mais do que um situação cômica onde nada chegava às vias de fato, nem mesmo o namoro chegava a ser consumado, às vezes, por causa dele e sua sujeira peculiar, outrora, porque os tipos de meninas eram, digamos, inusitados.


A Maria Cascuda teve sua primeira aparição já como namorada do Cascão na revista do Cebolinha n° 18, lançada em Junho de 1974, pela Editora Abril, sendo uma edição que remetia bem às raízes brasileiras da época, onde se comemorava festividades com nomes de santos durante vários dias do mês. São João, Santo Antonio e São Pedro são os que fazem parte de minha lembrança. 

Tais eventos eram chamados de Festas Juninas, tendo como espírito decorativo os espaços entrelaçados com barbantes os quais eram usados para colocar uma porção de bandeirinhas, algumas com a parte inferior em formato de seta, e outras, em formato de "M" (esta segunda opção era a mais comum e verídica). Brincadeiras como subir em um pau de sebo, fazer uma fogueira e a dança folclórica coletiva designada "Quadrilha" promoviam o brio dessas ocasiões. 

O tom mais sério ficava por conta dos adultos que rezavam com muita fé e devoção uma corrente de orações específicas a qual denomina-se "Terço", além de ficarem a cargo dos preparativos de comes e bebes como pipoca, quentão, leite quente com achocolatado, bolo de milho, tortinhas salgadas, paçoquinha, pé-de-moleque, doce-de-leite, cocada, milho cozido, pamonha, curau, amendoins salgados e torrados no forno...

Esta edição ilustra com sucesso todo esse costume na história que abre, O SANFONEIRO, onde os personagens principais combinam de estarem juntos à festa de São João daquela noite. Confesso que eles me arrancaram algumas gostosas gargalhadas com algumas situações. Cascão, principalmente, sendo bem mais amante da sujeira do que nos dias de hoje, topou o convite ao ver que uma menina toda sujinha (personagem desconhecida) também ia. Na hora designada, no entanto, ele se decepcionara, pois ela estava toda limpinha, cheirosa, arrumadinha para a ocasião. O gelo do Cascão para com a menina foi bem visível quando ele mencionou, em plena festa, que não tinha nenhuma dama disponível para formar par com ele na dança da Quadrilha, sendo que a moça estiva o tempo todo ali, ao seu lado, junto com Mônica e Cebolinha, os quais já naquela época combinaram de ser um casal. Além disso, tem Cebolinha e Cascão formando dupla caipira em um pequeno palco improvisado. Cebolinha com uma sanfona na mão, e Cascão, um cachimbo na boca. Cena impagável e descartável para os dias de hoje.









Já na oitava historinha é que aparece O GRANDE AMOR DO CASCÃO, a HQ que, de fato, deu origem à Cascuda como namorada dele. Não ficara nada claramente estabelecido, mas, naquela época, as historinhas não costumavam ser tão mastigadinhas para serem assim tão facilmente compreendidas. Qualquer pessoa com um pouco de inteligência já sacava que ali era a apresentação dos dois como um par romântico, pois Cascão a encontrara enquanto andava, e se apaixonara de imediato. Quando a menina dissera que seu nome era Cascuda, então, foi como se ele tivesse encontrado a sua metade da laranjinha passada no lixo mais próximo -  assim como Gomes e Mortícia, do universo sinistro e ao mesmo tempo cômico da Família Adams. 


A menina tinha ido visitar a tia. Cascão aproveitou o momento para passear com ela pelas ruas do bairro e mostrar-lhe o que ele dizia ser os pontos turísticos. Curiosamente, vemos que ela, como também era sujinha, parecia apreciar os tais lugares tanto quanto ele. Essa harmonia acabou logo, diante de um recipiente de lixo vazio que provocou uma reação estranha e sem noção em nosso querido e amado Cascão.




As duas HQs estão na íntegra, tiradas diretamente da minha edição. Não sei se é possível de ler, pois reconheço que a imagem poderia ter sido melhor, mas, a grosso modo, resolvi colocar a fim de que apreciem da forma como for possível. 

Sugiro que os leitores que tenham uma especial admiração pela turma da Mônica, um dia, adquiram esta edição, pois ela é recheada de tramas bem interessantes, que retratam bem toda a "atmosfera humorística" da época, o que é bem diferente de se ver hoje, nas atuais revistinhas.



Abraços a todos. 
Viva o amor, todo tipo de amor!

Fabiano Caldeira.


4 comentários:

  1. Esse gibi é muito legal mesmo. Não sei como não tiraram o cachimbo do Cascão nessa Coleção Histórica. Ainda em que não mudaram. Essa historia da estreia da Cascuda também é muito divertida.

    Abraços

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    1. Não tiraram o cachimbo porque dá para alegar que era de brinquedo. SQN

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  2. Não tenho está edição(muita boa...pena que essa grande coleção se acabou..será que não vendia bem..sei não, via muitos colecionar, eu mesmo..rsrs...valeu ler essa por aqui essa HQ..e hoje lá no blog ;)

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    1. OLá! Eu agradeço pelas postagens que você compartilha lá no seu blogue, o Blog do Xandro. Muito obrigado! Quanto à coleção, acho que alguma coisa à parte fez com que decidissem por optar o corte. Não acredito que estava predeterminado a acabar no número 50. Deve haver algum outro motivo. Se ainda tivessem ido até o número 100, que é um número forte, poderiamos nos convencer de que a premissa eram republicar as 100 primeiras revistas dos principais títulos da turma da Mônica. Mas, parou no número 50. Encerrou-se repentinamente, sem alarde, sem mídia para dizer antecipadamente que eram as últimas edições. Ficou esquisito. Uma pena! Eu gostava muito!

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