sábado, 18 de junho de 2016

[FILME] FERRUGEM E OSSO





Não costumo assistir ao canal SONY, mas ontem, por falta de opção, parei nele, diante de um filme que estava começando. Posso dizer que me surpreendi positivamente.

"FERRUGEM E OSSO" é um drama francês muito bom. Recomendo a todos que gostam do gênero.

Uma treinadora daquelas baleias Orcas e um bonitão um tanto avesso ao diálogo e às reflexões da vida, agindo muito por impulso e pensando mais em si mesmo se encontram em uma determinada circunstância. Logo vemos que o destino dá um jeito deles terem que se conviver. A forma que o filme vai mostrando isso é fascinante, sendo que nenhum dos dois, apesar de passarem por poucas e boas, e terem personalidades tão distintas, se projetam como vítimas, um ao outro.

Gostei da naturalidade a qual resolveram desenrolar as situações. Até parece um filme um tanto duro devido aos personagens, aparentemente, não terem suas vidas entrelaçadas tão afetivamente, um ao outro.

Há momentos em que temos raiva das atitudes brutas e um tanto sem noção do cara. Como a vez em que ele vai à boate com a moça e a deixa sozinha. Ele vai embora com outra mulher, e mostra à amiga, claramente, que estava saindo para ter uma noite de sexo gostoso com a outra. Ao mesmo tempo, é encantadora a sensibilidade em cima da forma como ele cativa nossos corações diante de suas atitudes mais gentis e prestativas, o seu jeito em tratar as pessoas com equidade, mesmo que elas tenham uma característica peculiar a qual faria com que todos a olhassem como coitadas - para ele, era só mais uma pessoa como tantas outras, com suas vontades a serem realizadas, suas metas, seus objetivos a serem alcançados na vida, seus desejos e paixões que deviam ser valorizados e vivenciados. Ela, que sempre fora tão independente e controladora do próprio nariz, descobre um novo olhar para as coisas. Sua vida nunca mais seria como antes, porém, ela ia descobrindo que até mesmo os caminhos indesejados podem nos apresentar novidades interessantes em seu percurso. Vemos sua adaptação à nova realidade, agora limitada, e como o seu amigo, com toda sua dureza de personalidade, ia lhe proporcionando a força, a confiança e a segurança e que precisava para recuperar sua autoestima e o gosto pela vida.

Essa obra-prima franco-belga me surpreendeu positivamente com uma alternância feliz entre o forte impacto, a rigidez, a hostilidade em contraste com a razão, a sensibilidade, o carinho, a ternura, o amor de uma amizade rompendo barreiras e se fortalecendo cada vez mais, tornando-se algo maior e melhor.



As interpretações são convincentes, realistas. Dá para perceber que houve todo um cuidado em cada cena. Os momentos da treinadora no parque aquático com as Orcas, o imprevisto que transformara sua vida para sempre, o encontro dela, tempos depois, com uma das baleias. A sensação de insegurança dela quando o seu amigo brutão insistia para que ela fosse nadar sozinha no mar e, em outra oportunidade, para que ela fosse dançar - e ainda, em outra situação, para que ela não se tornasse uma mulher fechada aos prazeres do próprio corpo. Sim. Refiro-me ao sexo. Ele foi, digamos, o pau-amigo dela. O homem que, a seu modo desapegado e só pensando em como era gostoso uma foda com uma mulher bacana, fez com que ela percebesse era possível continuar tendo prazer e, principalmente, transmitir esse prazer ao outro. A forma como tais características foram apresentadas é algo ímpar, tamanho o zelo empregado.






Enfim.... Trata-se de um drama maravilhoso, que tinha tudo para ser mais um clichê do cinema água com açúcar, mas acabou se tornando algo notável no quesito de superação, conquistas e recomeços.





Todas as fotos foram retiradas do site Adoro Cinema, onde você pode saber mais do filme, ler várias críticas, a ficha técnica completa, elenco, curiosidades etc.



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