quinta-feira, 21 de abril de 2016

[Quadrinhos] Um ano depois, como estão as revistas mensais da MSP





Em maio do ano passado, os títulos mensais dos gibis da MSP (Mauricio de Sousa Produções) tiveram a numeração reiniciada após terem concluído 100 edições. Normalmente, tal fato só aconteceu quando o Mauricio saiu da Abril e foi para a Globo (1987) e anos depois (2007) quando saiu da Globo e foi para a Panini. O anúncio, lembro bem, aguçou a curiosidade dos leitores, pois, dessa vez, não se tratava de uma nova mudança de editora, então, o que teria acontecido para que Mônica, Cebolinha, Cascão, Chico Bento, Magali e também o título Turma da Mônica voltassem ao número 1, afinal?

De imediato, quando as revistas novas chegaram às bancas em maio do ano passado, foi possível notar mudanças nas capas, no visual das páginas de passatempos e da seção dos recados dos leitores. Elas estão muito mais coloridas e com um aspecto mais "moderninho". Todas elas trouxeram um editorial afirmando que as produções das revistinhas estavam mudando para melhor, que tais mudanças seriam percebidas lentamente, ou seja, com o passar do tempo. Algumas coisas já tinham sido implementadas, porém, outras viriam a longo prazo, como foi o caso dos créditos de desenhistas, roteiristas e arte-finalistas, que, agora, estão sendo colocados até mesmo nas tirinhas de três quadrinhos.

A verdade é que, desde os anos 70, sempre ocorreram mudanças com a turma da Mônica, através dos tempos, uma vez que as técnicas foram se aperfeiçoando e, com isso, também, vieram maiores condições de produção de um maior número de histórias. Atualmente, a novidade vem sendo a digitalização dessa produção. O reinício foi apenas um marco que, sim, pode-se dizer que teve um viés de estratégia de vendas. 

Hoje, estando no décimo segundo mês dessas novas edições, o que de fato posso dizer?

Confesso que as primeiras novas edições me atraíram bastante. Porém, logo nos primeiros meses, já percebi que a tal mudança não afetara o conteúdo das tramas de uma forma tão satisfatória assim. Por algum motivo, não me senti tentado a continuar investindo mês a mês em algum título. Depois veio a crise econômica, que já estava aí, mas tudo piorou bastante no segundo semestre do ano passado, fazendo com que eu, simplesmente, parasse com minhas compras eventuais e focasse apenas em prioridades sérias para a minha vida. Somente este mês foi que adquiri novas edições: Mônica, Chico Bento, Magali, todas n° 12, e Turma da Mônica n° 11. 

Sendo o mais direto possível, os desenhos digitalizados vieram mesmo para ficar. Se havia alguma esperança de que voltariam para o manual, ela foi embora ao folhear tais páginas. Entretanto, nem tudo está perdido: entre as curtas historinhas no estilo "copia e cola", há tramas  que estão bem mais caprichadas e, honestamente falando, com desenhos bons, ainda que digitais. A priori, não dá para saber se foram desenhados na mesa digital, imitando página por página, como faziam antigamente ou se adotaram novos traços para o tal  recurso do "copia e cola". Mas é possível perceber uma boa mudança na qualidade dos traços de algumas aventuras. Mas não se enganem: todas estão tendo seu início, meio e fim produzidos por meio dos recursos digitais. Papel, lápis e tinta nanquim para produzirem páginas e páginas de HQs? Parece que isso virou coisa do passado na MSP.

Chico Bento n° 12 foi a que mais me surpreendeu com várias tramas para uma revista de 68 páginas, muitas delas sendo bem interessantes. A história de abertura foi bem feliz ao explorar o contexto do folclore. As produções, em geral, contam com bons diálogos e  um desenvolvimento dinâmico, sem deixar a gente com aquela sensação de que estão "enchendo linguiça". Destaque para "A FLOR E A ÁRVORE", que traz surpreendentes traços fofinhos, algo muito lindo de se ver.  




Mônica e Magali n°12 também estão bacanas. Destaque para as histórias de abertura, que me cativaram bastante. Eu ri muito com a Magali interagindo com os fantasminhas que entraram em sua casa. E os personagens da mitologia grega deram um toque todo especial à aventura da Mônica. 

Reparem que tivemos personagens folclóricos em Chico Bento, depois vieram os da mitologia grega em Mônica e, em seguida, os fantasminhas em Magali, ou seja, três títulos que trouxeram diferentes tipos de abordagem ao tema "personagens lendários" e bem conhecidos de todos nós. 

Turma da Mônica n°11 me surpreendeu com uma HQ da Tina onde uma vendedora, apesar de loura, me lembrou a saudosa Rosana Munhoz, roteirista da MSP que morreu na flor da idade, no auge de seu trabalho, em um trágico acidente de carro. Pode, sim, ser uma mera coincidência. Mas, também, pode ter sido proposital. alguém deve ter sentido saudades da moça e transmitiu esse sentimento para a historinha. Seu Juca protagonizou a HQ que fechou esta edição. Pessoas com mais de trinta anos entendem melhor quem é o Seu Juca e todas as situações desconcertantes que o envolvem. A trama de abertura com o Dudu foi legal, bem ao estilo moleque pentelho o qual ele se tornou de uns anos para cá. (imagem da Rosana baixada do blogue Arquivos Turma da Mônica e editada pelo Socializando HQ)





Não se trata da "reinvenção da roda", mas essas edições conquistaram meu apreço por estarem um tanto melhores àquelas de tempos atrás. Não sei dizer se é algo pontual, apenas destes números, ou se tais mudanças estão mesmo vindo para ficar. Talvez, resolveram caprichar na seleção das HQs justamente por estarem sendo visadas em relação a estarem comemorando um ano de reinicialização dos números.

Curioso notar que estas edições de número 12 trazem uma chamada informando que o Cebolinha bolou um plano infalível para comemorar, primeiro, um ano das novas revistas, em maio.



Abraços a todos.

Fabiano Caldeira.

12 comentários:

  1. Dessas, a do Chico é q menos interessou. Sempre estão mostrando folclore nos gibis dele. No miolo tem uma do Papa-Capim muda muito grande. O da Mônica realmente chama a atenção pelo tema de mitologia grega, pena que no gibi teve uma história muda interminável do Xaveco, que estraga. Magali de fato um bom tema e o da Turma da Mônica Nº 11 até que não achei tão ruim folheando, tem bastante hqs de secundários.

    Os desenhos digitais assim desagrada bastante, tem ele tem os desenhos prontos, aí vão inserindo nas cenas, mudam as expressões já feitas também. Tudo sem vida. Não dá. Algumas até uns detalhes maiores, mas tudo digital, inserindo imagens na cena. Até capas são digitais agora, como dá pra ver na Mônica, por exemplo.

    Eu desde as nº 1 de maio de 2015 não comprei mais nenhuma. Uma ou outra se salva, mas não é sempre assim. Que bom que vc gostou dessas, ao menos essas se salvaram pra vc. Mas não quer dizer que será sempre assim.

    Ótima postagem. Abraços

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    1. Como disse, é melhor se acostumar com a era digital. Eu percebi uns traços melhores em algumas historias, assim como detalhes do cenário. Eu vejo uma certa boa vontade da msp em melhorar as revistas.
      Sobre o Chico, são tantos anos de HQs que acaba sendo impossível não repetir temas e assuntos. Ainda mais se for pra manter a roça de antigamente com estes causos e lendas. Sabemos bem que esses lugares atualmente nem sustentam mais essa crendice e simplicidade.

      Na Magali, há varias historinhas explorando o lado comilão dela, inclusive, em uma delas, ela termina o ultimo quadrinho com um dor de barriga. A HQ dos fantasmas realmente foi muito divertida, faz um Crossover com Penadinho e ainda lembra distantemente os fantasminhas do desenho animado de Pac Man.

      E olha como o gosto é curioso: eu adorei a historinha do Xaveco. Na verdade, já tinham feito uma parecida em Turma da Monica na primeira numeração da Panini, quando o titulo ainda fazia referencia ao parque. Gosto quando ele aparece com seu pai.

      Uma HQ que achei que podia ser melhor foi a do Seu Juca em Turma da Mônica. Antigamente ele aparecia em tramas com bons traços dis personagens. Também o Bidu está com duas tramas bem parecidas de um título a outro, e os desenhos dele precisam melhorar.

      Não costumo seguir todo número. Espero que um dia, quando eu resolver comprar de novo, que elas estejam desse nivel para algo ainda melhor.

      Um abraço, meu amigo. Obrigado por vir e deixar registrada sua opinião.

      Bom descanso.

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  2. Seguindo o blog!

    Passaremos a vir aqui mais vezes!!
    abraços!

    att, André Betioli

    http://3quenaoda1.blogspot.com.br/

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  3. Muito boa matéria! Tenho varias revistas da Turma da Mônica na coleção, mas são todas da década de 90, quando eu ainda era criança. Hoje só compro Disney e faz tempo que não leio nada do Mauricio de Sousa. Meu primeiro filho nasce em junho. Provavelmente eu volte a comprar Turma da Mônica quando ele estiver aprendendo a ler. Você recomendaria? Conteúdo é bom pras crianças?

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    1. Em primeiro lugar, parabéns por ser pai. Espero que seja uma menina, ou melhor, duas meninas! Se eu fosse hétero, ia querer, no mínimo duas meninas. Independente disso, cuide bem do seu bebê.

      Se eu recomendo as revistas da turma da Mônica pro seu bebê??? Claro que sim! Sem medo!!! Há bastante crianças nessa turminha. A do Cebolinha está sempre com a Mariazinha aparecendo. Além do mais, tem o Bidu e a turma do Penadinho, a turma da Mata, todos muito fofos e com historinhas bem voltadas a esse público bem infantil mesmo.

      Eu amo a Disney, mas ela já é pros mais crescidos, tipo uns sete anos pra mais, pois as tramas já são mais aventurescas e os diálogos mais complexos. Mas não deixe de mostrar os desenhos da Disney também.

      Um forte abraço! Parabéns!

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  4. Eu percebi que ja faz algumas edições que ocorreram essas modificações,uma coisa que observei é que algumas historias deixam os temas mais engraçados no meio delas e deixam um final mais bonzinho,das deste mês eu dou destaque para a do Cebolinha,que foram três historinhas boas em minha opinião,Um plano para o capitão feio com caretas exageradas mas o cebolinha se fingindo de inocente para acabar com os planos do sujão.O concurso do floquinho,que meio se aprofunda na personagem,e a final com mais um plano do Cebola,e o ultimo quadrinho com ele triste e a Marina falando ''qualquer dia desenho um final feliz para o Cebolinha''

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    1. A numero 11 do Cebolinha também pareceu estar bem legal. Eu não comprei justamente por causa das caretas exageradas em enorme quantidade de quadros. Mas a numero 11 e 12, exceto pelas caretas, parecem ótimas. Obrigado por mencionado ela. Acho que vou até acabar comprando. Um abraço!

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  5. Fabiano fale de outros gibis também..ainda mais os da Disney!!! ;)

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    1. Jamais pensei em deixar de lado os gibis da Disney. Muitos assuntos e pouco tempo. Vou me empenhar mais nesse aspecto.
      Um forte abraço!

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  6. Faz um tempo que não compro nada de turma da Mônica nem Disney, há meses que me afastei da linha infantil, também tenho investido o dinheiro mais em prioridades. A minha última aquisição foi o Deadpool clássico. Vendo sua postagem me deu vontade de comprar algo da turma da Mônica e Disney, na minha próxima ida na banca vou ver se levo algo.
    Abraços

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    1. Sei bem como é ter que elencar prioridades. Há vários meses eu não comprava nem uma revistinha sequer. Ainda bem que estou sempre com um bom acervo guardado, pois é o que me consola em situações como esta, onde temos que pensar muito bem em prioridades. Um abraço!

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Peço educação e gentileza na troca de ideias. Obrigado!