domingo, 24 de janeiro de 2016

[TV] Amor & Sexo - nova temporada estreou sem deixar saudades do Zorra


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Quando "AMOR & SEXO" estreou na TV, logo percebi seu potencial, desde que não mudassem sua maneira de abordar os assuntos.

A produção era simples e, por vezes, até dava a impressão da apresentadora estar um tanto perdida, mas o tempo passou e gradativamente fui percebendo o viés da fórmula que transmitia uma certa educação moral e cívica no contexto da sexualidade, ao mesmo tempo, divertindo com os joguinhos regados a erotismo e comentários quentes, sem necessariamente apelar para a vulgaridade.

Eis que, ontem, a nova temporada me apresentou exatamente o momento onde minhas expectativas corresponderam.

O programa mostrou a apresentadora bem mais segura de si, sabendo exatamente o que falar (e o que não falar também - isso é importante!) e como direcionar os vários quadros - bem interessantes, por sinal.

Teve uma maratona de beijos rolando entre casais que supostamente nunca tinham se visto. Um a um, eles foram chamados ao palco, as vendas foram retiradas e eles corriam para o beijo.

Entre eles, um casal de lésbicas e um de gays.

Não. A TV não cortou as cenas dos respectivos beijos que foram, aliás, bem convincentes. Apenas houve a cautela de distanciar a imagem (percebi isso na vez do casal gay). Mas ainda foi bem visível o momento, que foi abordado da mesma forma, sem nenhum mudança, tanto aos casais héteros quanto ao lésbicos e gay.

Espero que o telespectador tenha percebido que foi a intenção mostrar, apenas, que o fato existe e, já que é tão comum a gente ver casais héteros se beijando em algum lugar, a mesma convicção deve ser direcionada aos demais. Por que não?

Essa naturalidade toda certamente disse mais do que muitas palavras de discursos pró diversidade que já ouvi por aí.

Também houve o momento toco. O último casal era hétero. O rapaz correu ao encontro da moça, mas ela não quis saber, virou o carão na hora do beijo, não teve nem a boa educação de embarcar na desculpa que a apresentadora gratuitamente lhe forneceu, deixando na cara que ela estava mesmo era afim de uns dos assistentes do programa - o cara foi chamado na mesma hora e, constrangido, deu-lhe o toco também, afirmando já ser comprometido. Bem feito!

Um bom tempo foi dedicado à população travesti e transexual.

Representantes desse universo cantaram, dançaram e se realizaram no palco.

Foi o bastante? Não. Eles também brincaram e interagiram com os artistas e demais convidados.

O assunto hétero abordou a fantasia sexual de usar um acessório ou brinquedo na hora de estar intimamente com alguém.

Dos famosos presentes, André Marques foi quem mais se destacou, alegando conhecer algo a respeito de bondage e sadomasoquismo.

O programa foi mais ousado e, ao mesmo tempo, manteve a classe diante da polêmica que, por conta própria, se posicionava aos holofotes.

Acredito que o horário de sábado à noite, substituindo o antes sólido Zorra,  foi um sacada perfeita.

Torço para que continue. Aliás, desejo uma vida bem longa.

A sociedade precisa se conscientizar de que vivemos em 2016. A tradicional família brasileira é aquela constituída de diversas agregações, onde nenhuma (família) supostamente é igual à outra.

É preciso parar de derramar hipocrisia nas redes sociais.

Pessoas que não viam problema nenhum em ver pegação e desejo entre homem e mulher serem transmitidos em pleno horário nobre, ontem amargaram assistir o mesmo acontecendo também a outras direções, vertentes, universos.

Está na hora de mostrar explicitamente que a vida não é feita apenas do papai, da mamãe, dos filhinhos e avós assexuados.

A vida não fornece apenas calças ao macho e vestidos à fêmea. Está na hora de saber lidar com isso.

Chega de jogar a pluralidade da sexualidade para debaixo do tapete ou em um quartinho fora de acesso, como se fosse algo sujo ou um ícone que deva ser bem escondido.

Aos preconceituosos ditadores de conceitos do que é normal, comum e aceitável, fica o meu abraço e a minha esperança de que estamos diante de um marco, um divisor de águas na programação da TV aberta brasileira, rumo a uma inclusão real e digna para todas as cores do arco-íris.

Abraços. Boa semana.


Fabiano Caldeira.




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