sábado, 30 de janeiro de 2016

[HQ] O SOL ESTÁ UMA LOUCURA!

A revista do Cebolinha n° 151 chegou nas bancas em Julho de 1985. Contendo 68 páginas e 13 histórias, o preço de capa era de Cr$ 2500 (dois mil e quinhentos cruzeiros). Considerando que o país já amargava um período ruim na economia, não era o que se possa dizer de algo baratinho. É claro que falo isso em relação à classe social mais baixa, aquela que infelizmente vive de um salário mínimo, na qual eu me incluo atualmente.

Já mostrei a HQ de abertura referente a chamada na capa  - "O GRANDE PINTOR". Agora, desejo compartilhar uma outra, um pouco menor, porém, igualmente divertida: "O SOL ESTÁ UMA LOUCURA!"

O Louco é um personagem que volta e meia aparece nas tramas do Cebolinha. Ele já contracenou com a Mônica também, mas confesso que o considero um personagem do núcleo do Cebolinha, uma vez que a maioria de suas histórias são com ele. Assim também considerava o Seu Juca que, infelizmente, não tem tido muito proveito atualmente.

O Louco apronta com o Cebolinha em tiradas bem engraçadas onde as coisas são levadas ao pé da letra ou em forma de trocadilhos, proporcionando situações muito confusas e curiosas. 

Veja, por exemplo, quando o Cebolinha o vê pegando o Sol. 

O Cebolinha diz: "Mas ele é o Sol!"

E o Louco: "Agora que você falou é que eu reparei! Ele é o Sol! Então você deve ser o Fá! Prazer! Eu sou o Mi!" rsrsrs...

Daí, o Cebolinha estende a mão para cumprimentá-lo e o Louco se assusta, dando a entender que a mão do Cebolinha é um revólver. E não é que ele dispara bem na cara do Cebolinha? 

Então, já aparece, no quadrinho seguinte, o Louco sentado em uma cadeira de Sol dizendo:
"Puxa! O Sol está forte mesmo! Olha como você já está pretinho!"  Sacanagem...rsrsrs...

Além de revólver, o dedo do Cebolinha também acaba virando uma mangueira, que é usada para apagar o incêndio que ocorre no instante em que ele, revoltado com aquela loucura toda, chuta o Sol, que acaba indo parar na margem da página do gibi e, com isso, começa a queimar ela. 

O estrago foi tão grande que a historinha da Turma da Mata - que supostamente estava se preparando para ser iniciada - foi afetada. Quando o porco-espinho do Luís Cacheiro começou a indagar o que tinha acontecido, em nome do Rei Leonino, o Louco simplesmente deu no pé, no maior estilo de "foda-se se a escola de samba ficou prejudicada ao entrar no sambódromo, eu quero é carnaval!"

Abraços a todos.

Fabiano Caldeira.


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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

[HQ] Cebolinha, o Grande Pintor... e curiosidades


Cebolinha n° 151 traz na capa o peço de Cr$ 2500 (dois mil e quinhentos cruzeiros), o que significava caro para a época, levando-se em conta o salário mínimo e a inflação que nos assustava e logo veio a desvalorização e mudanças de moedas. A data da publicação é de Julho de 1985, antes ainda do final da ditadura e das eleições do Tancredo Neves. 

A chamada "O GRANDE PINTOR" é a trama e abertura que curiosamente traz o nome do Cebolinha, no título, exatamente como o logo da capa. Isso não era um padrão antigamente, mas acontecia alguma vez. Já as chamadas, era difícil a revista deste personagem em específico não trazer uma - acabava sendo um diferencial do título, uma vez que Cascão, Chico Bento e Mônica quase não faziam isso. 

Cebolinha é flagrado pintando uma imagem da Mônica no muro, em aquarela. Ela, como sempre, fica fula da vida e quer acertar as contas no seu maior 'estilão' já tão característico. Entretanto, ele é salvo por um crítico internacional de arte que passava por ali e apreciou seu desenho. Os elogios são tantos que o cara fala em exportar mais obras daquelas para o exterior.

Para otimizar a produção, Cebolinha, todo cheio de si, chama os amigos para lhe ajudar. Desta vez, como estratégia, eles resolvem providenciar carimbos, uma vez que seria bem mais fácil e rápida a reprodução em larga escala. 

O tempo passa e o homem volta. Ao contrário das expectativas, ele fica abismado com tudo aquilo. Na penúltima página, em desespero, ele diz:

"Um futuro grande mestre agora não passa de um mero carimbador! Quem vai querer comprar um desenho que pode ser vendido em escala industrial? Que pode ser encontrado em qualquer esquina, bar, banheiro?"

O sujeito vai embora, profundamente decepcionado, e Cebolinha fica na mão. 

Mônica termina a história contando o fato à Magali e mostrando que ela também deu suas carimbadas (na molecada). Ah! Ah! Ah!

Essa história você vai conferir na íntegra logo abaixo. Claro que o scan não tem um acabamento primoroso, mas dá para ler e sacar o que se passa. 

Os desenhos são ótimos. Deslumbramos um estilo já bem caprichado que marcou os anos 80 e nos trouxe aventuras memoráveis como "O DEUS CEBOLA", "O CEBALÃO", "O TERRÍVEL PLANO DOS DEDOS MINHOCAIS", "OS CREMILINS", "A EX-AMIGA" e muitas, muitas outras.


Algumas observações: 

- a cor do coelhinho da Mônica, um azul bem mais claro do que o de hoje em dia; isso também aconteceu algumas vezes com o Bidu... na revista do Cascão n° 49, por exemplo, ele apareceu quase branco, de tão clara que foi a tonalidade.

- folheando a revista, dá pra notar uma textura na pintura, principalmente em espaços grandes com o o plano de fundo; sempre me perguntei se os quadrinhos eram pintados com lápis de cor ou giz de cera; em alguns almanaques, dava a impressão de que usavam mesmo era a tinta guache, pois a cor verde limão, em especial, denunciava tons mais escuros no que representava ser uma "poça" de tinta que acumulara e secara ali.

- logo na capa havia um informativo sobre um brinde no meio da revista: um par de papel de carta (era modinha na época).

- a publicidade, antes da página, para um torneio esportivo escolar patrocinado pela MAGUARY (tudo leva a crer que não é a mesma do suco e, sim, alguma entidade de ensino). 

- os lápis de cores da Labra, logo na abertura da história, na lateral direita da página; naquela época, esses anúncios eram comuns; hoje, acho que dão até um certo charme. 

- duas páginas informando uma promoção da empresa de brinquedos GROW: a primeira explica os detalhes e a segunda contém os quadrinhos já pré estabelecidos para que o participante monte a sua historinha com a turminha; o vencedor teria a sua arte publicada em uma futura edição da turma da Mônica e ganharia mais cinco jogos da GROW; o segundo colocado ganharia quatro jogos, o que também não era nada ruim; confesso que cheguei a fazer alguma coisa, mas, obviamente, "criançola" como era, não tive o menor jeito.

Anos mais tarde, ganhei um prêmio escolar simbólico de um concurso do mesmo gênero por uma página que fiz com meus próprios personagens, na época, a turma da maionese Helmans.

A página mostrava a vingança da Clara, que ficou sentida porque não foi chamada para o piquenique.

Pelo pouco que me lembro, ela fez um também (com seu amigo Tomato) e não chamou o Helmans, o Nabo, a Alface e o Almeirão. 

Já no ano seguinte, tentei embarcar em um novo concurso desse, mas a direção escolar interveio porque perceberam que o nome Helman fazia alusão à maionese Hellmann´s. Resultado: fui desclassificado. rsrsrs...

Eu me inspirei, na verdade, em uns imãs acolchoados de geladeira que nós tínhamos. Sei lá onde minha mãe arrumou aquilo, mas era bem legal!

Só para terminar, essas páginas de propagandas jamais sairiam na Coleção Histórica. Seria muito interessante se a reprodução fosse fiel, mas sabemos que seria inviável acontecer, infelizmente.


Abraços a todos.

Fabiano Caldeira.



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domingo, 24 de janeiro de 2016

[TV] Amor & Sexo - nova temporada estreou sem deixar saudades do Zorra


Veja mais no site da Globo


Quando "AMOR & SEXO" estreou na TV, logo percebi seu potencial, desde que não mudassem sua maneira de abordar os assuntos.

A produção era simples e, por vezes, até dava a impressão da apresentadora estar um tanto perdida, mas o tempo passou e gradativamente fui percebendo o viés da fórmula que transmitia uma certa educação moral e cívica no contexto da sexualidade, ao mesmo tempo, divertindo com os joguinhos regados a erotismo e comentários quentes, sem necessariamente apelar para a vulgaridade.

Eis que, ontem, a nova temporada me apresentou exatamente o momento onde minhas expectativas corresponderam.

O programa mostrou a apresentadora bem mais segura de si, sabendo exatamente o que falar (e o que não falar também - isso é importante!) e como direcionar os vários quadros - bem interessantes, por sinal.

Teve uma maratona de beijos rolando entre casais que supostamente nunca tinham se visto. Um a um, eles foram chamados ao palco, as vendas foram retiradas e eles corriam para o beijo.

Entre eles, um casal de lésbicas e um de gays.

Não. A TV não cortou as cenas dos respectivos beijos que foram, aliás, bem convincentes. Apenas houve a cautela de distanciar a imagem (percebi isso na vez do casal gay). Mas ainda foi bem visível o momento, que foi abordado da mesma forma, sem nenhum mudança, tanto aos casais héteros quanto ao lésbicos e gay.

Espero que o telespectador tenha percebido que foi a intenção mostrar, apenas, que o fato existe e, já que é tão comum a gente ver casais héteros se beijando em algum lugar, a mesma convicção deve ser direcionada aos demais. Por que não?

Essa naturalidade toda certamente disse mais do que muitas palavras de discursos pró diversidade que já ouvi por aí.

Também houve o momento toco. O último casal era hétero. O rapaz correu ao encontro da moça, mas ela não quis saber, virou o carão na hora do beijo, não teve nem a boa educação de embarcar na desculpa que a apresentadora gratuitamente lhe forneceu, deixando na cara que ela estava mesmo era afim de uns dos assistentes do programa - o cara foi chamado na mesma hora e, constrangido, deu-lhe o toco também, afirmando já ser comprometido. Bem feito!

Um bom tempo foi dedicado à população travesti e transexual.

Representantes desse universo cantaram, dançaram e se realizaram no palco.

Foi o bastante? Não. Eles também brincaram e interagiram com os artistas e demais convidados.

O assunto hétero abordou a fantasia sexual de usar um acessório ou brinquedo na hora de estar intimamente com alguém.

Dos famosos presentes, André Marques foi quem mais se destacou, alegando conhecer algo a respeito de bondage e sadomasoquismo.

O programa foi mais ousado e, ao mesmo tempo, manteve a classe diante da polêmica que, por conta própria, se posicionava aos holofotes.

Acredito que o horário de sábado à noite, substituindo o antes sólido Zorra,  foi um sacada perfeita.

Torço para que continue. Aliás, desejo uma vida bem longa.

A sociedade precisa se conscientizar de que vivemos em 2016. A tradicional família brasileira é aquela constituída de diversas agregações, onde nenhuma (família) supostamente é igual à outra.

É preciso parar de derramar hipocrisia nas redes sociais.

Pessoas que não viam problema nenhum em ver pegação e desejo entre homem e mulher serem transmitidos em pleno horário nobre, ontem amargaram assistir o mesmo acontecendo também a outras direções, vertentes, universos.

Está na hora de mostrar explicitamente que a vida não é feita apenas do papai, da mamãe, dos filhinhos e avós assexuados.

A vida não fornece apenas calças ao macho e vestidos à fêmea. Está na hora de saber lidar com isso.

Chega de jogar a pluralidade da sexualidade para debaixo do tapete ou em um quartinho fora de acesso, como se fosse algo sujo ou um ícone que deva ser bem escondido.

Aos preconceituosos ditadores de conceitos do que é normal, comum e aceitável, fica o meu abraço e a minha esperança de que estamos diante de um marco, um divisor de águas na programação da TV aberta brasileira, rumo a uma inclusão real e digna para todas as cores do arco-íris.

Abraços. Boa semana.


Fabiano Caldeira.




sábado, 23 de janeiro de 2016

[Filme] A INQUILINA


O bom de um final de semana, aos que curtem entretenimento nerd, é ter a opção de escolher o filme para ver em casa. Por que nerd raça pura é assim: pode até ir ao cinema, mas gosta mesmo é de usar a TV. 

Uma boa opção que recomendo aos amantes do suspense é o filme A INQUILINA. 




Hilary Swank incorpora com excelência a jovem, atraente e dedicada Dra. Juliet Dermer, que procurava um lugar novo para morar. Ela acha, então, um amplo apartamento em uma boa localização e a preço quase inacreditável de tão baixo. 
Max, o dono (Jeffrey Dean Morgan), prontamente lhe apresentou alguns contras, como a falta de vista da janela para uma paisagem bonita ou icônica, e a informou que o caminho de passagem do trem ficava logo abaixo, portanto, ela sempre o ouviria passar. 

A trama, a partir de então, começa a mexer mais com o telespectador, que vai acompanhando uma sucessão de cenas e situações aterrorizantes que mexem com o estado psicológico. Você não vai desejar o que vai assistir nem àquela pessoa mais chata que conhece e lhe aborrece.

Saiba mais detalhes, ficha técnica e imagens direto no site do ADOROCINEMA

Abraços a todos. Bom fim de semana!

Fabiano Caldeira.






quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

[Revista] "147" - a arte de transmitir relações humanas em quadrinhos



Quadrinhos autorais podem se tornar uma leitura bastante agradável. 

Um bom exemplo é "147", produzido por Daniel Esteves e Hugo Nanni

Focada em dois amigos que vão descer a serra, rumo ao litoral de São Paulo, a arte é bem bacana, simples e objetiva. 

A situação nos convida a uma reflexão de como andam os laços de amizade, atualmente, onde pode-se causar polêmica sob todo tipo de assunto. O desfecho chega a emocionar. 

Leitura dinâmica, fácil de assimilar e muito mais profunda do que aparentemente se mostra. 

Um pouco de nossa relação humana contemporânea foi transformada em HQ - sem dúvida! 

E ela é "147". 




Fabiano Caldeira.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

[Música] David Bowie morreu de câncer, ontem. O que resta a nós?

Imagem do filme "Labirinto"


É com muita surpresa que hoje volto a postar aqui no SOCIALIZANDO, após uns dias de descanso, a morte de David Bowie. 

Há vários veículos de informação internet afora noticiando o fato. Um deles é o portal G1, da Rede Globo. 

Na Wikipedia há uma boa página aos interessados em saber cada passo da trajetória do artista.

Apesar de não ser fã do cantor, sinto pela perda. Vivemos em um cenário artístico onde grandes ícones se vão, e dificilmente estes lugares vão sendo ocupados por outros simplesmente porque não há nenhum outro a ocupar. Este cenário vem se tornando preocupante há vários anos, com a partida de vários atores e cantores que muito contribuíram para os momentos de nossa geração, a de nossos pais e até a de nossos avôs. 

Não foi a mesma coisa que perder John Lennon, Elvis Presley, Marilyn Monroe. Pois, com  o tempo, vários outros grandes artistas surgiram. 

O que temos para hoje, em nossos tempos contemporâneos, é saudade. Saudade de arte boa - aquela que atravessa anos, até uma existência inteira. 

Tudo bem se você pensa que eu exagero. Mas diga aí: você acha mesmo que Anitta, Walesca Popozuda e Naldo são artistas que teremos orgulho de lembrar daqui há uns trinta anos? Tenho certeza que sua resposta será "NÃO!" 

Você pode até ser benevolente em dizer que todos os nomes do cenário artístico são importantes. Cada um merece seu espaço. "Ok!", concordo contigo NESSE PONTO. Entretanto, eles estão longe ainda de possuírem um acervo memorável justamente porque são fracos. Seus trabalhos pegam fogo e causam grande rebuliço geral, mas, depois de algum tempo, ninguém mais quer ouvir falar.

A indústria precisa voltar a investir em arte duradoura. Não vou aqui menosprezar o trabalho desses "sóis de verão". Eles têm sim, sua importância. Por que não? Mas não posso mergulhar na ignorância e fingir que está tudo bem em vivermos exclusivamente de modismo enquanto o cenário mais sensível e profundo de matéria prima está se tornando algo raro de se encontrar.

David Bowie é mais um artista que foi embora levando consigo muito mais do que talento para músicas marcantes. O mundo, com sua partida, está ainda mais comum, descartável e superficial.

Fabiano Caldeira.