sexta-feira, 27 de novembro de 2015

[Revista] Da PLAYBOY e seu fim




Parece certo que o título - um dia promissor da Editora Abril - será cancelado. A revista PLAYBOY que tanto agradou os marmanjos, atravessando gerações, terá um fim. A última edição está prevista para circular em Dezembro deste ano. Talvez a editora já saiba, mas a PLAYBOY foi muito mais do que um título pornô. Ela foi um referencial a todos os machos genuínos. Podia-se saber se um cara realmente "gostava da fruta" se ele tivesse o costume de falar da PLAYBOY. Se o cara não falasse nada, com certeza, era muito suspeito. A PLAYBOY foi quem também alargou os caminhos para a pornografia em revista no país - embora a revista nunca tratou do assunto mostrando sexo vulgar, mas o simples fato de existir já mostrava que as demais poderiam surgir com algo mais picante e até, digamos, baixo nível. Quem queria ver aquela atriz gostosa nua  crua, em um ensaio interessante, comprava a PLAYBOY e fazia festa no banheiro de casa ou no escritório do trabalho após o  expediente. Quem já era mais chegado em um safadeza geral, com transas explícitas, acabava aderindo às outras. A PLAYBOY era a vitrine daquela mulheres que todo homem gostaria de pegar, mas sabia que estava muito longe de seu alcance. Mulheres como a tal modelo que afirmou, em seu livro, já ter cobrado cerca de trinta mil reais por um programa. Mulheres de imagem pública que nos transmitia a impressão de que eram direitas, honestas e davam a entender que não se deitaria com homem nenhum por quantia nenhuma de dinheiro. Esse era o principal fetiche da publicação: colocar ao dedos masculinos aquilo que supostamente lhe era inalcançável. 

O que mudou hoje? Aonde está esse público? Bem... na minha opinião, ele ainda existe. Entretanto, estamos em 2015, uma era que já se constata muitas mudanças se olharmos para o ano de 1985, por exemplo, onde os casamentos eram mais sólidos, a base da família era o trabalho do pai e a educação repressora e machista da mãe. Isso mesmo! Da mãe, que ficava em casa, cuidando do lar e não podia nem sonhar com um filho que não fosse pegador. Hoje em dia há muita informação em tudo quanto é canto digital. A exposição da foto ficou banal, pois qualquer um pode tirar centenas e milhares de fotos de seu próprio corpo nu e replicar sua transmissão em segundos. Por que pagar caro por uma revista se o mesmo conteúdo eu posso obter depois, na Internet, de graça? Bem... não é exatamente o mesmo conteúdo, uma vez que a web está recheada sim, mas de fotos vulgares e sem o fino trato da PLAYBOY, que investia alto em suas escolhas mês a mês, tinha uma boa produção para os ensaios, uma suposta equipe que ia um pouco além do "tira a roupa e abre as pernas". Embora, eu digo, sob o aspecto do interesse do público alvo dessa revista, o principal fator que os movia a adquiri-la não mudou nada. Os homens só queriam ver a tal fulana nua. "Bater uma" com as páginas daquele corpo tão caro e glamourizado, todo nu, se esfregando em suas coxas. A diferença é que hoje esse público tem acesso a um conteúdo muito mais banal e agressivo na Internet, mas que lhe possibilita a mesma experiência de gozar. A nova geração não anda mais tão exigente a ponto de só querer a PLAYBOY para um momento íntimo de satisfação pessoal. Sites como XVídeos, XNXX e muitos outros acabaram caindo em domínio de milhões que ficam até mais tarde no serviço para dar aquela espiadinha gostosa - a mesma espiadinha que antes era feita com a revista PLAYBOY em mãos. Com certeza, algum amigo de escritório já flagrou uma edição de bobeira em uma das gavetas que ele abriu por acaso. E isso era um luxo - praticamente um gentileza - assim era encarado. Ninguém dedurava ninguém por ter visto, por acaso, uma capa da PLAYBOY ente o material de serviço. Pelo contrário, se estava ali, devia-se aproveitar também. No outro dia, até rolava algum comentário. "Poh, estava aqui de bobeira e vi a PLAYBOY da fulana. Maior gata ela! Que gostosa!" Logo você descobria quem eram os héteros que trabalhavam contigo. Essa isca sempre funcionava.

A editora, se tivesse cuidado mais do tesouro que tinha em mãos, provavelmente ainda seria recorde de vendas da PLAYBOY. Mas o tempo foi passando e a Abril se contentando em ter uma divulgação aqui e outra ali, em algum meio de comunicação que passa bem tarde da noite, quando todo mundo já está dormindo. Parece que essa equipe ainda desconhece o poder da viralização virtual. Não se interessaram em fazer um local apropriado na web para manter as divulgações de cada revista. Claro que tem um site que informa e a mostra à venda, mas está muito aquém do que poderia. Era preciso algo com uma vida própria, conteúdos exclusivos para que a pessoa sentisse um interesse em estar ali. Evidente que o site não iria substituir o papel, mas ele serviria como uma alavanca, pois o consumidor fiel vê o site e depois quer consumir o produto físico. Mas tudo isso foi ficando de lado dia após dia. Ninguém deu bola, ninguém estava a fim de manter uma equipe dia e noite promovendo a manutenção de uma revista glamourosa de mulher pelada. E o resultado foi que, pouco a pouco, a marca foi perdendo terreno para produções grotescas e até bizarras que acabaram ficando marcadas no consciente dos machos carentes que veem na Internet uma facilidade e praticidade de seus prazeres. 

Resumindo a conversa: a PLAYBOY foi um ícone que abriu o mercado pornô brasileiro - um grande ícone entre o público masculino, que era capaz de se infiltrar com sutileza em qualquer tipo de recinto e permanecer lá por anos, muitos anos, sendo sempre bem amparada pelos marmanjos e consideravelmente respeitada pelas mulheres (afinal, elas gostavam de saber quem eram os machos e verdade que as folheavam e as mantinham ali). Entretanto, a falta de visão da empresa, através dos tempos, fez com que o título fosse suprimido pelas demais opções que surgiram. Acredito que ainda hoje a PLAYBOY ainda tenha uma fatia de público. E esse público se tornara cada vez mais seleto. Duvido que alguns deles não gostaria de um site exclusivo e todo dedicado à revista, com conteúdos exclusivos, fotos inéditas e até algumas novidades exclusivamente voltada aos plantonistas da web: coisas mais "baixas" que jamais seriam vistas numa revista impressa de bom nível, mas certamente contribuiria para firmar a preferência da pessoa em estar ali, lembrar do título e, quem sabe, continuar aderindo às publicações, uma vez que o site seria tão legal para com ela.

Sobraram glamour e sofisticação para altos investimentos em cada edição. Faltou uma visão mais pé no chão e realista do porquê de seu consumismo. A própria editora agiu com tabu em relação ao próprio produto já consolidado há anos. Recusou-se a admitir a necessidade de uma linha virtual mais agressiva, simples e eficiente, que poderia se fixar mais na mente dos caras com essa ideia tão em alta que é o sexo explícito. Uma equipe virtual eficiente e dinâmica certamente ajudaria a promover as vendas físicas cujo conteúdo poderia continuar como sempre foi. Mas a editora não quis ter trabalho com um assunto tão sujo e cretino que é o mercado de mulheres nuas e a exploração sexual. Ela não viu motivos para incentivar essa nova geração de barbados a esporrarem em cima de seus smartphones ou ao lado do note que ainda resiste firme e forte em algum lugar graças ao wi-fi. Afinal, era pra isso que a PLAYBOY servia: um combustível que facilitava a troca de óleo do motor e ainda promovia a amizade do Clube do Bolinha. 

A PLAYBOY era a única revista que eu conheço que, ao ser pega em uma casa, deixava o paizão contente com sua cria. "Poh, meu filho já é um homem! Olha o interesse dele! Hoje vou dormir de bem com a vida".

E assim jaz um ser que adoeceu e faleceu porque ninguém se interessou em cuidar dele.

R.I.P PLAYBOY



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