segunda-feira, 7 de setembro de 2015

[Revista] Chico Bento N° 83: O Sanfonaço Valvulado


Em Novembro de 2013, a MSP trazia às bancas a edição do Chico Bento n° 83 pela editora Panini. Em vista dos altos e baixos nas historinhas - já tão citados por muita gente - até que gostei dessa edição. A HQ de abertura "O SANFONAÇO VALVULADO" nem é tão grande assim (comparada às demais aventuras que iniciam uma edição, que se arrastam por cerca de 20 páginas aproximadamente). Ela é bem movimentada no sentido de se passar em uma quermesse na Vila Abobrinha, portanto, os quadrinhos são grandes porque o artista se preocupou de colocar bastante personagens para ostentar o clima de movimentação de gente. E o Chico Bento fica muito fulo quando Rosinha resolve aparecer com Genesinho, obviamente, a fim de provocá-lo (houve uma pequena discussão antes). Para impressionar a garota, ele faz uma espécie de torneio musical com o menino rico, lindo, louro e metido a besta, que adora ficar com a Rosinha. 

A edição contou com várias outras tramas. Devo citar a Turma da Mata pelo episódio "O OBJETO MÁGICO", onde os coelhinhos encontram uma lupa. Tarugo aparece logo ali, porém, ele e muito menos os coelhinhos desconhecem aquele objeto que os impressiona com o aumento das imagens. Certa vez um profissional da área me confidenciou que estava ficando muito difícil para elaborar roteiros envolvendo esse núcleo da floresta, pois, havia na época um suposto veto por objetos que não pertenciam ao local e que estivesse claramente dado a entender que veio de fora. Pelo jeito, alguém conseguiu a proeza de burlar essa "nota". Ainda bem.

"QUERO SER GRANDE" é uma boa situação onde vemos Chico e Zé Lelé proseando no rio. Zé estava preocupado com seu crescimento (ou melhor, o crescimento de seu corpo, se ele iria ser alto quando adulto). A Vó Dita aparece em dado momento para aconselhar os dois a seguir um certo rapaz para entenderem como ele conseguiu ser grande e, assim, dessa maneira, o Zé Lelé poderia procurar seguir seu exemplo. Bem bonito o desenrolar. Podem dizer que é previsível, mas não podem negar que houve um pezinho de filosofia. 

"QUER SABER? CANSEI!", é a clássica situação entre Thuga e Piteco onde ela fica cansada de ficar correndo atrás dele e resolve promover algumas mudanças. Claro que a historinha mostra uma aparência diferenciada exatamente para ilustrar que ela está mesmo disposta a virar essa página, sobre seu casamento com Piteco, de uma vez por todas. A partir de agora, as tramas começam a cair de patamar. Enredos rasos ou sem um devido esmero predominam. Vale destacar algumas produções como "A MAQUETE" - é até legal ver a Profa. Marocas incumbindo os meninos de fazerem um trabalho escolar; eles tem que apresentar uma maquete figurativa do nosso sistema solar produzida com elementos simples. Tudo vai muito bem, uma história legal, envolvente. O que não gostei foi da apresentação dos objetos utilizados na maquete que é apresentada no final da historinha. Cada componente do nosso sistema solar foi representado por um alimento. Poderiam ter desenhado eles no mesmo estilo infantil das crianças e do cenário simplório ao invés de pegarem e resolverem aplicar uma técnica realista demais. Nem sei se aqueles alimentos foram mesmo desenhados ou se simplesmente fizeram um copia e cola de algum lugar e aplicaram uma trucagem de filtros para disfarçar e fazer de conta que são desenhos. Não dá para definir muito bem e muito menos entender esse contraste tão realista com os personagens desenhados normalmente ao redor. Ficou estranho para um roteiro até interessante.

Ainda há mais páginas que, na minha opinião, nem vale a pena mencionar. Uma HQ onde o Mauricio aparece pescando e fala o tempo todo com o Chico que, por sua vez, o convence a voltar para o estúdio.... e outra com o Papa Capim, que procura ilustrar a lenda da Vitória-Régia (o primeiro exemplo, é sempre bacana ver o Mauricio inserido em alguma HQ, mas ela é meio sem graça; a do indiozinho, confesso que já vi uma arte sobre a mesma lenda antes, há muitos anos, nesse mesmo núcleo dele e, por isso, achei esta um pouco a desejar).

Apesar de ter escrito sobre um certo caimento nas tramas, devo dizer novamente que gostei dessa revista se for analisar esta edição como um todo. Sabemos que não dá para ter uma edição ótima do começo ao fim sempre, pois é natural que algumas produções agradem mais e, outras, menos. São 68 páginas todos o meses e mais os outros títulos. Isso deve ser levado em consideração, até porque o fato de eu ter gostado de algumas dessas tramas não quer dizer que elas realmente sejam muito boas, mas apenas que caíram na minha satisfação pessoal. Pode ser que alguns de vocês tenham gostos bastante diferenciados e outros pontos de vista até mesmos dessas ultimas tramas que demonstrei não considerar serem tão divertidas. No geral, achei uma boa edição. Valeu a pena tê-la adquirido.

Bom feriado a vocês! Até daqui a pouco, nos comentários que espero receber. Abraços.

Fabiano Caldeira.


--------- Banco de Imagens --------------





 


                                         Chico Bento ° 83 - Novembro de 2013 - Editora Panini


2 comentários:

  1. Os desenhos da hq "Quero ser grande" e da última muito feios. Já a da abertura ficou legal, embora achar estranho Chico com nariz pequeno. Esse gibi eu não tenho, pelo q dá pra ver no seu texto, dá pra aceitar para os padrões atuais.

    Abraço

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pode ter certeza de que sou sincero nas minhas postagens, embora você sempre soube disso. Já fui de escrever as coisas mais "na lata" para deixar tudo muito claro demais, mas acabei percebendo que soava agressivo e desnecessário. Portanto, acho que posso me fazer entender dessa forma que já venho usando desde o dia 07 de Fevereiro deste ano, quando comecei este blogue novo. A sinceridade sempre estará presente. É uma revista que achei boa. Gostei dos assuntos das historinhas embora você mesmo leu as críticas que apontei. Os desenhos, infelizmente, são de acordo com o que você mencionou. O lance agora é ficar de olho em outras coisas como "se a HQ diverte" ou "o que ela procura transmitir", porque pelo visto as coisas não vão voltar ao que eram. A MSP quer lucrar horrores com muito pouco investimento. Veja vem, os desenhistas, alguns deles são os mesmos de muitos anos atrás e essa coisa de digitalizar os desenhos e reaproveitá-los economiza papel, material artístico em geral. Gostaria que a realidade não fosse essa, mas está aí na nossa cara. Felizmente é possível ainda se divertir com algumas tramas, algumas edições. Ainda bem que procuram sempre melhorar. Um abraço e obrigado pela sua visita.

      Fabiano Caldeira.

      Excluir

Peço educação e gentileza na troca de ideias. Obrigado!