quarta-feira, 23 de setembro de 2015

[Filme] He-Man e She-Ra: O Segredo da Espada Mágica





O Segredo da Espada Mágica é o longa-metragem produzido para consagrar o sucesso dos episódios de He-Man e She-Ra. Pesquisando em vários locais especializados em filmes, há a data de um lançamento mundial que foi 22 de Março de 1985. Não sei exatamente se é verdade, pois lembro de tê-lo visto no cinema, mas eu era muito pequeno para me apegar a detalhes assim. Lembro que, na época, quem fazia sucesso era She-Ra - A Princesa do Poder: uma versão feminina do universo de He-Man, um tanto melhorada no meu conceito, pois He-Man dizia respeito a tomada de Etérnia pelo Esqueleto, enquanto em She-Ra havia toda uma população que sofria com a Horda: a organização tirana liderada por Hordak.

O "longa" foi feito homenageando os dois irmãos poderosos, porém, as explicações maiores se concentraram acerca da origem de She-Ra. Quando o desenho começa, vemos que He-Man já existe e não há muita coisa a ser explicada exceto o que houve no passado. Então ficamos sabendo que o príncipe Adam tinha uma irmã gêmea que foi sequestrada por Hordak - um ser maligno que promovia o caos em Etérnia. Esqueleto era seu discípulo,  o seu braço direito que acabou se tornando tão terrível quando seu Mestre e, por isso, Hordak se sentiu ameaçado e resolveu fugir para outro planeta levando a pequena bebê, irmã gêmea de Adam, consigo. Com ela sendo criada por ele desde criança, as chances de se rebelar seriam praticamente nulas. Adora era seu nome e ela cresceu fiel a Hordak, que já espalhava o terror em Etéria há certo tempo, capturando pessoas simples, humildes, acabando com todos os seus sonhos e recursos de progressão e prosperidade ao longo de suas vidas, transformando-as em escravos de seus desígnios. Adora era fiel a Hordak. Ela e acreditava mesmo que a população, tão aterrorizada, merecia passar por tudo quanto é mazela e que a Horda sim era boa e tinha sempre razão, pois só queria o bem da população. Qualquer semelhança com o que vivemos hoje em dia acerca do nosso panorama político é mera coincidência, ok? rsrs.... 

A farra de Hordak acaba quando a Feiticeira decide que está na hora de Adora descobrir toda a verdade para enfim ajudar toda aquela população há anos castigada. Então ela chama o príncipe Andam e, após lhe contar tudo o que ele tinha que saber, o designa para essa missão. He-Man e seu fiel escudeiro Gato Guerreiro (Adam e Pacato) vão logo à Etéria, ou seja, a trama não fica enrolando muito em Etérnia. Ver Adora má, ajudando a Horda, foi uma grande surpresa na época, pois os episódios da TV nunca mostraram algo desse tipo. Chegou a ser chocante pra mim, por isso gostei bastante do momento em que finalmente acontece a transformação. A hora em que a Feiticeira consegue penetrar na mente de Adora, tentando em desespero, abrir-lhe os olhos antes que uma tragédia exterminasse He-Man para sempre, foi simplesmente tudo. A transformação de Adora em She-Ra sempre foi um orgasmo pra mim. E diante daquele contexto, foi de arrepiar mesmo. E como a produção sabia que aquele era o ápice do filme, colocaram a "retransformação" de He-Man em seguida, logo que She-Ra o liberta e ele recupera sua espada. 

Apesar da obra não ter recursos sofisticados de luz e sombra durante o decorrer da trama e a anatomia ser desenhada de maneira simples, duvido que haja uma versão tão boa como essa. He-Man já passou por outros traços e infelizmente não obteve o mesmo fascínio. She-Ra, eu ainda desconheço algum outros estilo em que ela foi feita (e nem quero conhecer). Ela é simplesmente linda do jeito que é. Os desenhistas de hoje não entendem o fascínio que existe nesses personagens tão tradicionais que fizeram o sucesso que sabemos devido a uma certa dubialidade que mexia com nossa imaginação de várias maneiras. Se não fosse assim, não teria sentido, por exemplo, aqueles pernões de Adora perambulando pra lá e pra cá, no meio de todo mundo. Fala sério que ninguém nunca imaginou um personagem qualquer passando a mão naquela bunda, naquelas coxas enormes e gostosas que ela tinha sempre à mostra! Será que ninguém nunca imaginou Adora sentada de pernas abertas esperando um "rebelde" para ter um momento de alegria com ela? Obviamente que o desenho jamais iria mostrar coisas assim, mas foi para isso que eles forma criados. 

Assim também foi com a Mulher Maravilha. Quem nunca se imaginou com poder suficiente para dominar aquela potranca que gosta tanto de mostrar que tem uma pomba que a torna símbolo visível entre seus seios? Acredito que muitos desenhistas não devem ter sacado isso, senão, não estaria querendo mudar uniformes e colocando cada vez mais pano onde não se deve. A trasnformação de Adora em She-Ra só mostra a sacada: "uma dama no dia a dia e uma puta quando assim deve ser". Até que, que sou gay bem resolvido, adoro ver seu cabelão crescer e aquela microssaia que parece mais um convite do tipo "vem cá, me pegar, se conseguir!" O cavalo travesti é uma mera inclusão social mostrando que o mundo é da diversidade, a pluralidade, a união que, quando unida, faz a força. 

E He-Man também não foge a esses preceitos. Muito pelo contrário: o homem forte que todo pai deve ensinar seu pupilo a querer ser. O gato bonito, musculoso e destemido com que toma mulher sonha em ficar junto durante o resto de seus dias. Não foi à toa que a tanga de He-Man era tão cuta e os episódios, às vezes, o colocava de pernas abertas em um ângulo meio "inusitado". Claro que ninguém ia jamais ver um pentelho do saco do He-Man escapar pela tanguinha irregular e super curta que ele sempre usava. Ninguém ia ver He-Man se esfregando no corpo de Teela e muito menos com caras e bocas de desejos. Isso, a imaginação do telespectador adulto se encarregava de criar por si mesma. Daí o sucesso garantido!

Vocês acham que o Superman teve aquela sunga vermelha apenas por acaso? Há quem diga que as cores de seu uniforme era uma homenagem aos Estados Unidos da América do Norte, assim como foi em Capitão América. Ok. não vou questionar. Acho até válido! Mas porque justo a sunga vermelha? Peguem o ano em que Superman foi criado e percebam que sua figura atende exatamente ao estereótipo de beleza correspondente àquela época. Cabelo bem cortado, sempre com gel ou algo similar, rosto angular, pescoço grosso, todo um tórax robusto (na época não se pensava em corpo bombado, mas sim "robusto", que era um corpo musculoso mesmo, mas diferente do padrão de hoje em dia; "robusto" era aquele corpo forte, com músculos, mas que se alimentava bem e não tinha porque eliminar excessivamente a massa corporal, ou seja, a massa gorda). Na verdade, esse padrão de beleza perpetuou até meados dos anos 90. Depois foi que a coisa desandou por causa das academias e suplementos da vida. Voltando o foco ao tipo criado para o Superman, aquele era o padrão de beleza da mulherada naquela época e, como toda mulher daquela época, uma roupa íntima vermelha insinuava muita coisa. A sacada de colocar a sunga vermelha por fora de um uniforme azul - que delineava todo o corpo másculo daquele bravo destemido cheio de força e segurança para fazer o que bem quisesse - foi perfeita! E para mexer ainda mais com as fantasias de seu público (de ambos o sexos), nada melhor do que a velha fórmula: "um cavalheiro honesto e batalhador que se transforma em um homenzarrão delicioso quando é preciso", não é mesmo? E Lois segurava bastante essa linha tênue entre a ingenuidade e a sensualidade do homem de aço. Aí, um belo dia, resolveram remodelar o Superman e retirar a sunga vermelha de vista. Não sei o que foi feito de Lois, pois parece que agora o homem de aço prefere a Mulher Maravilha. O resultado de terem retirado todas as mensagens subliminares está aí, pra quem quiser ver! 

Por quê a Mulher-Gato, da Michelle Pfeiffer, é inesquecível quando falamos de filmes do Batman? Justamente por explorar bastante a fantasia da ingenuidade e a sensualidade serem tão latentes em uma mesma pessoa; a inocência e a violência em uma mesma morada; o assexualismo que de repente se surpreende aflorando mais elixir de feromônios do que qualquer animal no cio por aí. Batman não fica nenhum pouco atrás nessa onda, pois é uma pessoa fria e implacável que, de repente, deixa-se penetrar pelo desejo, pelo sensual, pelo erotismo que o lembra: "você também é de carne e osso, meu chapa!" E essa característica no homem-morcego é tão forte que as pessoas já imaginam ele num "pega-pega" doido com o Robin, o Coringa, a Mulher-Gato, a Batwoman, a Batgirl... e os mais "criativos" (digamos assim) já devem até ter imaginado uma pegação entre ele e Gordon. Batman reflete o oculto, o escondido, aquilo que ninguém quer que seja descoberto. E o obscuro, às vezes, pode ser cruel... ou excitante! 


2 comentários:

  1. Eu vi isso no canal Gloob dividido em 4 partes no horário da She-Ra. Era como se fosse episódio piloto para gente conhecer a origem da She-Ra, até pq antes só existia o He-Man. Aí pelo jeito logo depois fizeram desenho animado da She-Ra e incluiram esse filme como episódio piloto q abre a série. Não lembro de ter visto na Globo nos anos 80. Acho q não. Acho q na Globo começaram a série da She-Ra com o episódio 1 mesmo.

    Muito boa a postagem. Abraços

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    1. OI, Marcos! Você tem razão. A Globo não exibiu essa história nos episódios de She-Ra. Pelo que me lembro, aqui no Brasil esse filme saiu nos cinemas até mesmo quando She-Ra já estava consolidada na programação em seus episódios individuais. Eu mesmo vi essa animação no cinema, ano em que pipocavam filmes dos trapalhões em época de férias e os shoppings não tinham cinema, pois eles se concentravam em áreas centrais daqui de Ribeirão Preto. Uma boa época que tenho saudades, pois o cinema não era tão caro!

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