segunda-feira, 1 de junho de 2015

[Revista] O que mais gostei na revista da Magali N°1 ne?

Confesso que tinha um pouco de medo dessa nova edição da Magali n° 1. Da Panini, tenho pouquíssimas revistas dela. A chamada de capa não foi o que posso dizer de chamativa para o início de uma nova série. A personagem tem todo um núcleo próprio que convive com ela, são personagens que às vezes aparecem apenas em seu título mensal. Não sabia ao certo o que ia encontrar e achava que poderia não me agradar.



"SERÁ QUE ELA É?" abre a revista. Ali estão os créditos de roteiro, desenho e arte-final. Esse tipo de coisa, segundo já lemos por aí, vai se tornar cada vez mais comum de se ver agora nas revistinhas da turminha.  O roteiro é de Edson L. Itaborahy, os desenhos são do Sidnei L. Salustre e a arte-final é de Lilian A. Almeida. Não entendi o que a empresa entende por arte-final, se é apenas a finalização dos desenhos pelo nanquim ou se é algo mais amplo como digitalização dos detalhes, colorização e letreiro. Não dá pra saber se o artista que aparece como desenhista, se ele passou o nanquim ou se apenas fez o desenho a lápis para ser finalizado por outra pessoa. 

Voltando à historinha, é uma típica HQ de aniversário. Maio é o mês que estabeleceram para o aniversário da Magali. De uns tempos pra cá, todos os anos, os personagens abrem suas revisas com uma aventura de aniversário dentro de seus respectivos meses de comemoração. A meu ver, "Será que ela é?" é uma boa criação que diverte a gente, mostrando Cascão e Cebolinha juntos o tempo todo e imaginando a Magali como uma bruxinha a fazer uns preparativos bem diferenciados para sua festinha. Gosto de quando esses dois garotos contracenam juntos, acho que funcionam muito bem.

"AH, QUE FALTA ELA FAZ!" endossa o que eu disse em uma postagem anterior a respeito de terem procurado selecionar HQs que explicam as características dos personagens. Nesta, vemos que foi feita para mostrar que Cebolinha não provoca a Mônica por "bullying" e sim porque gosta dela. Mônica está viajando e Cebolinha está com saudades. Ele tenta usar a Magali para fazer o mesmo que sempre apronta com a Mônica, mas a doce menina magrela e comilona não tem os artifícios e atributos  próprios da baixinha, dentuça e gorducha. Assim, as tentativas acabam ficando frustradas. Vemos no último quadrinho a satisfação de Mônica e Cebolinha ao finalmente se reencontrarem e voltarem à rotina. 

Uma curiosidade é que, tanto a HQ de abertura quando esta, mostram nuances do universo da "turma Jovem". Em "Será que ela é?", dizem que a Magali Jovem já tem um pezinho com o ocultismo. Então, nessa historinha, vemos uma menção a isso, como que explicando que esses dons ela possuía desde criança, só não tinha consciência disso. "Ah! Que falta ela faz!" trabalha com o envolvimento de Mônica e Cebolinha, o qual sabemos muito bem que já até se casaram, ou seja, vivem uma relação entre tapas e beijos e agora procuraram explicar esse fato. Já estava na hora de colocarem uma visão mais madura do comportamento dessas criancinhas. Há 50 anos elas fazem as mesmas coisas sem muita explicação e despertando teorias bobas por parte de pessoas que não têm nada pra fazer e ficam punhetando suas mentes, alegando que o tratamento do Cebolinha para com a Mônica só incentiva traumas e violências entre as crianças, que a comilança desregrada da Magali incentiva a obesidade infantil e os problemas de saúde relacionados a ela, que o Cascão temer tanto a água incentiva a falta de higiene das crianças e o comportamento exclusivo das demais, ou seja, uma série de bobagens que a empresa necessitava contornar. Pode não ter sido satisfatório a alguns leitores, mas não deixa de ser um drible aos problemas ocasionados no passado. 

"AQUELA HORA DO GATO ATACADO" é a HQ que mais gostei, pelo simples fato de mostrar Mingau bem agitado, elétrico, querendo extravasar energia. Achei tudo muito engraçado, o Mingau chapado, a Magali passando umas poucas e boas sendo que até foi arranhada por ele na bunda. Foi simplesmente hilário! Uma HQ simples, com o estilo das expressões dos personagens completamente alterados, porém, muito bem vindos porque fazem parte de todo um contexto - da mesma forma como foi com Cascão naquela sua HQ do tubarão, onde li várias críticas sobre as expressões modificadas as quais foram necessárias pelo contexto, mas parece que não entenderam o espírito da coisa. Querem a turma engessada, somente fazendo mais do mesmo, sem novidades a acrescentar, sem surpresas a mostrar. Enfim, gosto é algo muito individual e por isso eu digo que, tanto o tubarão quando esta HQ do gato atacado da Magali, foram as melhores no meu conceito. Mostrando um humor com flexibilidade e inovação, sem se prenderem a conceitos e "pré-conceitos". De nada adianta uma pessoa comprar uma revista da turma da Mônica esperando ver algo de décadas atrás. Se é para ser assim, foquem nos sebos ou lojas "on line" para adquirirem as revistas dessa época, pois dificilmente vão se acostumar com o material atual já que estão presos demais ao passado.

"MODELO MORTO" é uma HQ com Penadinho e seus amigos. Penadinho, sendo "miolo", é bem vindo em qualquer título. Gosto de suas historinhas, pois dão um refresco à atmosfera, mostrando outros ares, se é que me entendem. Isso acontecia muito nos bons tempos da revista do Chico Bento, que incluía sempre uma HQ com o Titi como forma de fazer a gente sair um pouco daquela atmosfera de sítio, mata e natureza. "Modelo morto" tem uma boa arte. Poderia ter sido melhor, pois achei os personagens meio estranhos em alguns momentos, mas gostei de ter visto um cuidado com sombra e luz, cenário. E gostei da brincadeira com o assunto em si, mas acredito que nem todo mundo entendeu o espírito da coisa, já que hoje em dia as pessoas nem querem saber de se aventurar a uma pintura, menos ainda de natureza morta. É uma HQ bobinha e ao mesmo tempo inteligente demais para um determinado tipo de leitor. Que fique claro que não se trata de idade, geração. Hoje em dia há muita mortadela por aí. E sabemos bem que quem nasce mortadela jamais se torna um salame italiano.

"UM OU OUTRO" fecha esta nova edição de n° 1 da Magali, com mais uma trama de aniversário, mas, desta vez, é do Dudu. Dudu, antes, era apenas um menino que não queria comer, criado exatamente no universo da Magali para ser o oposto dela. Mas depois, com o tempo, fizeram algumas mudanças e hoje o garotinho é reconhecido por ser primo da comilona magricela. Sua característica de não querer comer continua, embora atualmente  ele se mostra bem mais pentelho e enche a paciência de todo mundo com seu jeito pestinha de ser. Então é o aniversário de Dudu e um imprevisto acontece fazendo com que sua mãe confie o acabamento dos preparativos daquelas sacolinhas surpresas à Magali. O propósito era encher os pacotinhos com guloseimas variadas. Para Magali, estava sendo muito difícil ficar ali, incumbida daquela tarefa, vez que a tentação de comer tudo era grande. Uma típica historinha que foca na principal característica da Magali: a gula descontrolada.

Assim como as outras revistas já comentadas aqui, considero esta da Magali com um bom conteúdo. Quero ver se nos próximos meses a qualidade vai continuar sendo parecida. Espero que sim.

---------------- Banco de Imagens -----------------







12 comentários:

  1. Em TMJ ,Mônica namora o Do Contra :v

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    1. E na edições recentes fala que o numero 50 é um spin off,aquela que mônica e cebola se casam

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    2. Legal saber! Só que não é de hoje que há várias conotações sobre um possível relacionamento entre Mônica e Cebolinha num futuro. Quem acompanha as revistas da era Panini, já deve ter visto isso em, no mínimo, umas dez revistas dessa turminha clássica.

      Mas, valeu pela informação!

      Obrigado!

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    3. Mas é mesmo,quando mostra um futuro nas classicas mostra monica e cebolinha juntos,eu nunca curti mesmo,até que enfim na turma jovem acabou com isso

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    4. Confesso para mim, saber dessa informação que você me passou, deu um certo alívio. Embora eu não sei como é o Do Contra jovem. Não consigo visualizar essa informação dos dois namorando. Mas é melhor o que o Cebolinha, que tanto nos querem fazer engolir goela abaixo.

      Abraços.

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    5. Do Contra em TMJ não mudou nada,só contraria e fala que quer ser original e não copiar o que os outros fazem

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    6. Se interesar pra ler uma edição nem compre leia online,
      http://issuu.com/fernandafranco3/stacks/9aa652a26e24430e9f69089b91048edf
      só as primeiras 25 que pode decepsionar

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  2. Legal q vc gostou dessa revista, Fabiano. Valeu por compartilhar.

    Quanto a arte-final é considerada a finalização dos desenhos pelo nanquim, ou seja o desenhista desenhou a hq e depois um arte-finalista passou o nanquim para ser finalizado. Pelo menos nas antigas, as vezes o próprio desenhista tbm tinha função de arte-finalista. Agora com os créditos, vamos ver se isso vai acontecer. Nessas edições, dentre as mostradas, foram feitos por pessoas diferentes.

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    1. Sim, foi o que deu a entender mesmo, que uma pessoa desenhou a lápis e depois a outra veio com o nanquim. E isso é um perigo, pois o artista que está com o nanquim pode enaltecer ou destruir os desenhos que chegam até ele. Se bem que, com os recursos digitais que estamos vendo, não sei até aonde são nanquim mesmo, pois parece que muita coisa tem sido feita direto no editor de imagens.

      Abraços. Boa semana!

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  3. Nossa, achei super legal saber que o Titi tinha HQs no gibi do Chico Bento.
    Abraços.

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    1. Sim, Matheus. Na época da Abril, várias revistas do Chico Bento traziam HQs com o Titi. E muitas vezes era solo ou com a Aninha, não tinha essa de ele aparecer como reles secundário no meio dos outros personagens que roubavam a cena. Na verdade, eu lembrei desse detalhe através das revistas da Coleção Histórica da Turma da Mônica.

      Abraços.

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