quinta-feira, 14 de maio de 2015

D-E-S-A-B-A-F-O de cunho íntimo e pessoal

Há dez anos eu corri com meu companheiro, na época um relacionamento recente, em busca de atendimento em uma unidade de emergência, pois ele estava tão debilitado que sequer conseguia respirar direito. Fiquei sabendo depois que esse gesto foi o que definiu o destino dele, pois se eu tivesse atrasado um pouco nesse socorro, certamente ele não teria sobrevivido. Sobreviveu após muitos dias em um quarto de isolamento, com um aparato gigantesco de técnicas e aparelhagens hospitalares que forçaram o corpo a reagir. Eu não tenho como criticar o SUS, o Hospital das Clínicas, pois foi muito bom para mim nesse momento em que mais precisei de um serviço realmente empenhado na luta pela vida de uma pessoa. Foi uma longa recuperação que mesmo após ele ter saído do hospital ainda inspirava cuidados diversos. Nenhuma equipe médica me deu garantias de nada. O organismo era muito debilitado. Embora sua volta para casa tenha sido feita após um longo período de restabelecimento e cuidados técnicos, ninguém me deu certeza do que eu poderia aguardar nos meus próximos dias. Foram muitos meses correndo com meu carro em vários lugares agindo na fé de que ele certamente melhoraria, sairia da então zona de perigo da qual ainda nos assombrava. Foram idas e vindas a muitos tipos de lugares, durante várias vezes, e arriscando vários procedimentos os quais certamente a medicina não teria aprovado. O resultado foi satisfatório. A saúde foi voltando e aos poucos parecia estar sentindo o gostinho de uma certa vitória pelas minhas ações de fé, ainda que isso havia me custado um carro todo o qual perdi depois dessa fase, pois a manutenção para arrumá-lo acabou ficando cara demais para mim. Mas, mesmo ele tendo ficado com a visão parcialmente afetada, eu me senti um vitorioso e dava Graças a Deus pelo Departamento lá de cima não ter feito com que ele perdesse sua vida nos meus braços. 

Passaram-se dez anos e hoje eu já não estou tão feliz assim. As vezes, em dias como hoje, que fatalmente a tristeza me pega (mesmo eu resistindo bastante, pois não é frequente que me deixo atacar por ela), eu me pego refletindo e as memórias acabam sendo inevitáveis. Fico me perguntando até onde vou suportar a situação da qual me encontro. Ele, hoje, goza de boa saúde - apesar de sua visão nunca mais ter se recuperado, dá para se locomover independentemente até mesmo para sair para todo lugar que queira, andar de ônibus, ir ao supermercado, ir a qualquer tipo de recinto. O problema dele é na leitura. Eu não entendi o que aconteceu e ninguém consegue entender nada, nem mesmo a equipe médica, após ouvir várias vezes relatos dele explicando como anda a visão. Parece que ela ficou dupla e sem noção de profundidade e, com isso, na hora de ler um texto, algumas palavras aparecem, outras não e uma frase simplesmente parece ser um monte de linha de costurar embaraçada. Ah, mas com ele tendo uma vida tão independente assim a ponto de sair aonde quer, até mesmo viajar e fazer compras, está tudo muito certo, não é mesmo? De certa forma, sim. Está. Poderia ter sido muito pior. Poderia ter ficado completamente cego ou ainda ter afetado outras características como audição, fala, coordenação motora, o que não ocorreu, Graças a Deus. 

Entretanto, venho ficado muito aborrecido, pois a pessoa está cada vez mais preenchendo seu tempo com compromissos que, a meu ver,  não deveria. Ele, hoje, é um representante regional de uma organização não governamental chamada RNP+ (Rede Nacional de Pessoas Soropositivas), conselheiro no Conselho Municipal LGBT, conselheiro do Conselho Municipal de Pessoas Portadoras de Deficiência, membro e coordenador de um projeto de uma determinada ONG LGBT e agora, recentemente, aderiu também um certo envolvimento a uma Associação Pró-Esporte e a um movimento não governamental novo chamado de Articulação Nacional da Saúde e Direitos Humanos. Todos esses lugares tem uma comunicação com demais membros através da internet, seja por e-mail - a principal ferramenta utilizada - ou pelo facebook. Mas a tarefa não se restringe a ficar se comunicando pela Internet. Há reuniões municipais mensais para cada segmento e, com isso, compromissos que as pessoas ficam empurrando para ele assumir. Há um desejo nele de se tornar presidente de alguns desses movimentos cujas eleições são para alguns dias. Logicamente que os demais integrantes apoiam, pois não fazem nada e viram nele uma boa vontade enorme de apanhar todas as tarefas e se sentir importante. 

Isso está me matando por dentro. Esta noite eu não dormi direito, pois ele veio com uma conversa, quando eu me preparava para relaxar em frente a TV até chegar o sono (após as minhas rotineiras cinco horas vendendo meu cachorro-quente para garantir meu dinheiro digno), de que deseja fazer um e-group do tal Conselho que ele está se candidatando a presidência. Além do e-group, ele quer fazer uma página também. E além dessa página, ele quer fazer outra página para pessoas alheias que procuram recintos no facebook que tratam desses temas. Isso não teria o menor problema se não fosse um pequeno detalhe: QUEM vai ficar dando tempo para fazer e depois manter essas atividades todas? Pois é! Adivinhem só! Não vou dizer aqui que dá trabalho ficar conferindo os três e-mails dele todo santo dia, ler um a um para ele em voz alta, mesmo naqueles dias em que a minha cabeça nem estava minimamente afim de entrar na Internet. Não vou aqui ficar falando que é um fardo, todo santo dia, ficar olhando o que tem no facebook dele e ficar lendo pra ele e fazendo e escrevendo tudo oque ele quer. alguns dias, fico horas e horas fazendo isso. Mas, na maioria das vezes, são apenas uma hora e meia, talvez nem isso. Só que esse acúmulo de atividades está me perturbando a tal ponto de pensar seriamente no futuro da minha relação. E ele sabe disso. Sabe tanto que fica me agradando. Mas isso só me irrita mais ainda. 

Só pra constar, de todos esses compromisso que ele pegou pra si (alguns já vindo sendo exercido há anos), nossa renda aqui em casa não mudou em nada. Ele recebe um benefício assistencial de um salário mínimo conseguido a muito custo pela justiça, pois, mesmo tendo sido "funcionário da civil" por dez anos, o INSS simplesmente não quis lhe conceder. Esse benefício, aliás, só foi conseguido pelo fato da sua deficiência visual que supostamente o deixa incapaz para um emprego. Eu não uso esse dinheiro porque, na verdade, ele serve para pagar apenas as contas dele. ele usa cartão de crédito a torto e direita, para qualquer coisa, e também às vezes precisa comprar medicamentos que o SUS não fornece, pois tem problemas de circulação. Ele tem uma série de gastos que são só dele. Eu não uso esse dinheiro, eu não me meto nessas questões dele. Minha única intromissão é pegar os boletos que chegam e ir pagar, pois nem isso ele faz. A minha renda vem do lanche cachorro-quente que vendo aqui. Irrisória. Meus pais me dão um suporte. Sim. Dinheiro mesmo e alguma comida que compram no supermercado. Não chega a ser uma cesta básica, são apenas itens que por ventura eu esteja precisando como um pouco de açúcar, um pouco de feijão... a maior parte da comida é comprada com nosso dinheiro mesmo, não vem através dos meus pais, pois comida aqui é o que não falta. Todo dia é um banquete.

Essa situação vem me incomodando muito. Não vejo uma luz no fim desse túnel. Parece que tudo só piora. Não em refiro ao dinheiro com o lanche e nem ao dinheiro dele. Eu m refiro ao que ele está fazendo com a gente, envolvendo-se cada vez mais com atividades por aí a troco de tapinhas nas costas, custando-lhe muito tempo, muitas andanças por aí diariamente e chegando em casa com uma série de coisas que eu PRECISO ver para ele na Internet. E cada vez mais, e cada vez mais. Não é a questão do tempo o problema. O fato é que ele quer a todo custo me envolver nessas histórias. No começo, até tentei mesmo. Achei seria boa ideia estar próximo para saber como funcionam esse lugares. Acontece que não gostei nada do que vi. Um monte de gente sem vergonha na cara, sem noção das limitações e dificuldades das demais pessoas, mas que estão lá, empurrando coisas (que elas deveria fazer) aos outros. Comecei a brigar com essa gente e hoje sou uma pessoa de certa forma mal vista nesses lugares. Alguns sequer me cumprimentam quando me encontram na rua. Alguns ainda possuem certa educação. Mas também, nem faço questão da consideração dessas pessoas, pois eu ainda tenho valores os quais não me faz sentir nada agradável ver gente ganhando rios de dinheiro sem fazer nada e ainda desviando mais verba ainda a benefício próprio e achando os otários voluntários que fazem suas tarefas de responsabilidades em seu lugar. Quando fico sabendo que eventualmente uma dessas pessoas morreu ou está no hospital, não consigo nem sentir nada a não ser "Bem feito! Tomara que morra! Quem manda ser safado? Quem manda ficar usando os outros e ainda ficar maltratando eles, constrangendo eles?" 

Bom... aonde estou nessa história? Estou arrasado com os rumos que as coisas estão tomando aqui entre nós. Minha relação está indo pro esgoto. Já cheguei a terminar várias vezes, já o toquei daqui (a casa é da minha família, portanto, não sou eu quem deve sair daqui, senão minha família me mata), já deixei claro "N" vezes que tudo ficaria bem melhor se ele não se envolvesse tanto em tudo que é coisa que aparece pra ele. E daí, o que acontece? Ele, sei lá se é por medo de perder esse ritmo de vida que tem conquistado ou se é simplesmente por amor a mim (não acredito mesmo), dá um tempo desses compromissos. Acaba ficando apenas com alguma coisa. Quando penso que tudo está sob controle, gradativamente, tudo volta a ser como antes, as coisas surgindo se acumulando e ele querendo pegar tudo e ser tudo.... a troco de meros tapinhas nas costas. Ok. Se ele fosse realmente uma pessoa independente, o fato dos tapinhas nas costas não me incomodaria. Sério. Não sou ma pessoa ambiciosa. Sei muito bem como dá para ser feliz vivendo com muito pouco. Mas não é essa a questão. A questão é que, quando mais atividades ele decide aglomerar, mais sobra para mim. É muito desgastante ler e-mails ou postagens no facebook de pessoas que ficam simplesmente massacrando ele, manipulando o comportamento para que ele faça o que elas querem. Eu tenho sentimentos. ficar vendo um série de e-mails e postagens com um série de conteúdos que simplesmente abomino não está sendo nada bom para mim. E o resultado já se nota (a quem quiser ver), pois eu já não estou tendo vontade de arrumar minha casa, as coisas se acumulam por aqui, pois ele não joga fora nem uma embalagem tosca de pão de forma. Por mais que eu limpe, não dá para limpar tudo o que precisa, e isso me deixa mal, cada vez mais desmotivado. Não estou conseguindo ter ânimo para os meus desenhos, nem mesmo os mais simples. Ou seja, minhas metas, meus objetivos, estão indo para o ralo, pois, até onde sei das coisas da vida, nada acontece em um passe de mágica: se eu não dispor de tempo e dedicação para meus desenhos, as publicações não acontecerão. Simples assim. A única coisa que me impediu de dar um fim na minha vida e continuar acreditando em uma solução, em dias melhores, por incrível que pareça, é algo dentro de mim que não sei explicar. Não sei como definir, não sei. 

Às vezes as pessoas acham que fico tempo demais na Internet. Quem dera mesmo fosse assim. Uma postagem de HQ neste blogue é feita aos poucos, leva cerca de dois dias em média. Por isso que nunca mais me comprometo a fazer atualização diária aqui, justamente para não ter essa obrigação de ficar mais tempo na Internet. Não sou um viciado nessa tecnologia. Mas sim. Eu aproveito ela para me fazer sentir melhor. O que uma pessoa, que é praticamente abandonada pela outra, deve fazer para se sentir melhor? Eu faço isso. A TV a cabo, a Internet e os meus gibis estão me segurando aqui. Acho que, se não fosse por ainda nutrir essas minhas paixões, eu não teria mais motivo nenhum pra continuar vivo. E aí, alguém completamente por fora da situação vem e aponta o dedo e vem falar um monte de merda de como eu deveria ser, de como eu deveria fazer, de como eu deveria agir ou me portar. Ora! Eu quero ver quantas pessoas estão nessa situação que eu. Eu quero ver quantas conseguiram sair dela sem serem protagonistas de uma tragédia. As pessoas falam muito sem ter a menor noção do que estão dizendo. Veem você, uma pequena parcela do que você é, e acham que conhecem toda a sua vida. Acham que conhecem o suficiente para ficarem elencando fatores de ficar dando liçãozinha de moral ou coisas do tipo "deve" ou "não deve" fazer. 

Eu não sei como resolver essa situação. Não tenho a menor ideia. Já tentei algumas vezes explicar a essas pessoas - que são desses movimentos que meu companheiro gosta tanto de se envolver - que ele não pode ficar recebendo tanta tarefa, tantas responsabilidades assim, como eles pensam, pois isso acaba sendo transferindo para mim, que não gosto e não tenho nenhum interesse nisso tudo. Mas percebi que esses momentos não resolviam nada. Aliás, começaram a espalhar por aí que eu ficava humilhando meu companheiro para os outros. Ou seja, não QUISERAM entender nada. Mas é claro, pois é mais conveniente assim. Meu próprio companheiro não fala de suas limitações a essas pessoas. Ele não explica certas coisas que elas deveriam saber. Por que ele não faz isso? Um pouco é vergonha, outro pouco é porque ele tem medo de que, assim, não lhe deem as atividades. Só que nesta história toda quem se ferra sou eu. Daí, quando eu resolvo colocar um ponto final nessa história, eu sou o ruim, eu sou o monstro, eu que não presto... é assim. 

Eu não tenho mais amor por ele. Não aquele amor de carne, de querer viver junto como se fosse uma família. E me sinto muito mal por isso. Porque não queria que as coisas ficassem assim. Só que não depende de mim. Eu não tenho como me sentir bem e fazer planos com uma pessoa que só me chateia com esses assuntos dia e noite, todos os dias a semana, uma pessoa que não é capaz de ver quando estou triste, chateado, entendiado, nervoso, porque ela só pensa nela mesma e no que EU TENHO QUE FAZER pra ela ficar bem com seus compromissos perante os outros. Já perdi a conta das noites em que vou dormir revoltado, angustiado. De quantas vezes vou a algum lugar procurando sexo pra me sentir na ilusão de ter uns minutos de fuga da minha realidade. E aí eu me sinto um lixo. Um lixo por fazer isso, um lixo por ter minha visão perfeita e ficar tão incomodado em ter que ficar lendo e escrevendo (as coisas que não quero) para ele. Um lixo por não ser correspondido quando estou triste, magoado, ansioso, nervoso. Um lixo por não sentir nada quando ele prepara uma comida gostosa pra mim, quando vai na padaria e compra uns pãezinhos contra a minha vontade, mas porque espera que eu goste. Um lixo por estar cada vez mais incomodado com o que ele vem fazendo, por constatar que ele não me escuta e por que não consigo ser a pessoa que ele gostaria que eu fosse. Um lixo por achar ele um bosta e por me amar a ponto de ficar indignado com a forma como ele está conduzindo as coisas. Sair com ele? Pra quê? Só passo raiva. Ultimamente tenho saído sozinho. 

Eu não sei o que fazer. Não sei por quanto tempo essa situação vai permanecer desse jeito. Gostaria que ele sumisse da minha vida. Mas já toquei  ele daqui tantas vezes e ele armou um drama enorme - e depois fez de conta que esqueceu tudo - tantas vezes, que até cansei. Fica parecendo que fico humilhando ele... e eu não quero isso, então, só parei de fazer, parei de tocar, parei de brigar, parei. Eu não sei o que fui arrumar pra minha cabeça. Em dias como hoje, chego a me arrepender de ter corrido com ele aquela noite. Devia ter deixado ele morrer, pois às vezes ele fala coisas sobre aquela época, que eu vejo que nem grato ele é. Sim. Eu não fiz mais do que minha obrigação como ser humano. Não se trata disso. Mas é muito ruim ver que a pessoa simplesmente não enxerga os esforços que você faz por ela. Isso machuca muito, pois só eu sei o que eu vivi. E só eu sei o que eu passo agora. Eu não sei se uma situação dessas acontecer de novo - de ter que correr novamente com alguma pessoa importante na minha vida, procurando um atendimento de emergência, se eu farei. Sinceramente falando, eu acho que prefiro deixar ela morrer. Eu nem sei como me sinto agora: não me sinto vivo, não me sinto morto; não tenho mais amor, aquele amor que cobra fidelidade e planos e objetivos a dois. E o pior é que tenho que viver assim, pois nada acontece. E me sinto um lixo por isso.

Esse texto, não vou replicar na Internet. Escolhi colocar aqui, pois a visibilidade a ele (neste lugar) praticamente não existe. Estou pensando se mando para os irmãos dele, para ficarem a par do que se passa. Estou pensando. Pois eles simplesmente não fazem nada, parecem que não querem saber de nada. Estão numa situação de vida bem melhor do que ele, mas agem como se nada acontecesse. Não sei ao certo até que ponto é bom mandar esse texto pra eles. Não tenho receio que se enfureçam comigo. Mas o que eu gostaria que acontecesse mesmo era que eles entrassem em contato com meu companheiro e falassem uma porção de coisas que o faria ter um pouco mais de consciência do que está acontecendo. Ou então que eles simplesmente deixassem claro que ele tem um lugar aonde ir, caso a nossa relação termine mesmo. Mas a real é que nada acontece. Provavelmente eles irão ler tudo e fingir que não receberam nada, que não sabem de nada, ou seja, vão simplesmente ignorar. E aí, eu vou ficar mais puto da vida ainda. 


4 comentários:

  1. ONGs LGBTs... Noto que o acirramento no seio desses organismos está grande. Pessoas que ingressam na militância com ideais nobres para serem, depois, física e emocionalmente, destruídas.
    Antes, isso era comum no meio sindical. Mas sindicatos flutuam, e são mantidos com $$$ de cidadãos DIRETAMENTE, por meio de contribuições. Como o dinheiro PÚBLICO está entrando a rodo em muitas ONGs, atualmente, joguetes tornaram-se comuns. Muitas vezes, não está em jogo, mais, a defesa do interessados. Mas, apenas, o mero jogo de poder.
    O que noto é que, quase sempre, os de boa vontade sofrerão, sempre, pois têm ideais a defender e se frustram quando o fins não são atingidos. E os que querem apenas a bufunfa nunca se frustram, pois é tudo um joguete por poder decisório e financeiro. E, claro, por sair bem na foto.
    Há muita coisa de podre por trás de ONGs no Brasil. Seja LGBT, ecológica, educacional etc..
    Abraços e sucesso ao tentar encontrar soluções para esse dilema familiar.

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    1. Eu endosso, concordo e testifico tudo o que você falou. As coisas são nesse pé mesmo a respeito das ONGs. Muitas são mantidas por sindicatos, ainda que recebam dinheiro do governo, e muitos fazem a festa no tal jogo que você falou. São verdadeiros psicopatas, pois não têm porra de ideologia e objetivo coletivo nenhuns. É só safadeza mesmo. Money, money, money! Eu acho bom mesmo que o governo pegue no pé delas e que sejam extintas. Acaba sendo menos um tipo de desgraça neste nosso país.

      Quanto ao meu companheiro....
      Eu acabei de ter uma "senhora" conversa onde ele simplesmente disse que tudo isso são coisas da minha cabeça. Que ele nunca teve expectativas de que eu ficasse lhe fazendo favores e muito menos que eu apoiasse suas ações, mas da mesma forma, como ele gosta de mim do que jeito que eu sou, mesmo sabendo que eu já não ando mais com um sentimento que havia antes, ele só pede para que eu o aceite do jeito que ele é, uma pessoa que se ocupa fazendo um bem coletivo para que os outros não passem pelo que ele passou. Pois eu sou a única pessoa que ele tem e que nunca passou pela cabeça dele abusar de minha boa fé, abusar do que posso oferecer a ele, muito menos me mudar em algo e muito menos fazer de conta que o sentimento não mudou, pois, segundo ele, até as árvores mudam.

      Enfim, são muitos anos de convivência e eu prefiro deixar as coisas como estão. Se ele acabou de me dizer que está bom pra ele desse jeito, pra mim fica conveniente manter tudo assim. Uma coisa que faço questão é que ele saiba como venho me sentindo para que depois não tenha uma dessas "surpresas conversas" vindas de terceiros no ouvido dele e eu acabar saindo como o cachorro da história toda. Ele está careca de saber que se um dia ele quiser ir embora, eu não vou sentir falta, não vou ficar triste e nem ficar pedindo pra ele ficar. Mas não tem jeito, não... adotei um filho já grande mesmo. rsrsrs...

      Eu resolvi desabafar aqui porque ninguém aqui o conhece bem... e é foda ficar alugando a cabeça de pessoas próximas com essas lamúrias, até porque as pessoas próximas normalmente me pegam pra falar é da vida delas. Ouço muito, ouço umas duas horas os problemas delas, mas na hora de contar algum problema meu, elas não têm "tempo". rsrsrs..... Esses amigos malas da vida real...rsrs... A gente ama sem explicar direito como é isso. Uma vez alguém me falou que eu gosto de ser escada. Sei lá, deve ser. Um psicólogo me disse que posso me sentir melhor pondo tudo pra fora desse jeito. É verdade, me sinto mesmo.

      Um abraço e obrigado pela sua atenção. é sempre bom agradecer o carinho e a atenção de alguém, principalmente de pessoas que poderiam estar fazendo qualquer outra coisa e resolveram dedicar seu tempo a essas linhas. Muito obrigado!

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    2. É um dilema. Você acha que é bom ele se preservar mais. Mas isso pode lhe tolher um pouco a liberdade e frustrá-lo. Bem, é sempre assim: a gente expõe nosso ponto de vista e o outro que tome suas decisões, desde que mais à frente possa, SOZINHO, pagar o preço.
      Quanto às ONGs, já se fala em CPI das ONGs. Vamos ver no que dará.
      Independente de qualquer estresse do passado (que pode ocorrer novamente), é sempre bom ler o que vc escreve.
      Abraços!

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    3. Que bom que alguém ainda gosta do que escrevo. Venho aprendendo na marra que essa fórmula de construção de uma vida a dois (ou em familia) que a mídia tanto prega não existe.Os valores impostos não passam de bobagens. Se eu for mesmo querer seguir a risca cada item dessa padronização que vejo na TV e matérias pseudo-jornalisticas de revistas ou internet, nunca teria sequer começado uma história de construção de uma vida a dois. E comigo há um agravante que talvez seja o histórico familiar. O casamento dos meus pais também já não existe segundo os padrões desejáveis. Há um amor mas está muito diferente de um casal. Com minha irmã mais velha também as coisas se encaminham agora de forma parecida. E agora tem a minha vida afetiva indo para o mesmo patamar. Ainda tenho um irmão de 22 anos que namora firme há um ano. Vamos ver se ele consegue ter esse relacionamento perfeito cheio de boas lições de moral e costumes exemplares. Fico olhando a vida das pessoas que se queixam a mim e vejo que aquele comercial de margarina ou os valores impostos pela sociedade estão quase que utópicos. Se a pessoas quer a todo custo manter um relacionamento ou casamento, ahhhh, ela vai ter que se preparar para passar por situações nunca antes imaginadas. Situações que vão mudando os sentimentos e a forma de sentir eles. Eu não desejo isso a ninguém.

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Peço educação e gentileza na troca de ideias. Obrigado!