sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

[Revista] "Terrível" - o adjetivo ideal para as revistas da MSP

Às vezes fico pensando e me pego em devaneios sobre o que se passa em uma empresa como a MSP, que tem a faca e o queijo na mão para uma boa produção de quadrinhos, independente de qualquer coisa, porém, estão a fazer elementos cada vez mais decadentes. Eu tenho 37 anos  cresci lendo turma da Mônica. Já achava a fase Globo meio "diferente" da Abril, mas agora, nessa era Panini, parece que só piorou. Nem vou bater na pauta do politicamente correto exagerado. A questão, acredito, deve ser mais abrangente, pois não se consegue obter bons frutos de jeito nenhum. Quando tem-se bons desenhos, o roteiro é fraco. Mas quando temos boas ideias, uma trama que parece ser interessante, são os desenhos que acabam decepcionando. 

Lembro bem do mês passado, quando vi a capa do menino "calamujo" e pensei que a revista do Cebolinha viesse com algo marcante a oferecer. Afinal, não é todo dia que ele vira um bicho tão nojento como tal. Este mês foi a revista da Mônica que mais pareceu estar interessante para mim. Fiquei com muita vontade de comprá-la e saber como andam as histórias. Afinal, a capa estava um show de bola. No mínimo, eu ia encontrar uma boa aventura com muitas páginas e certa ação para relembrar talvez os muitos anos que se passaram e que a turma realmente se envolvia em situações melhores. 

Encontrei a edição na FNAC, quando um dia fui passear em um shopping, e me dispus a folhear. Que decepção! O miolo da revista é completamente diferente da capa, que oferece um bom visual com impacto regado a vários personagens e cores marcantes. O interior é simples de dar dó. A turma da Mônica sempre usou e abusou dessa simplicidade. Desde seus primórdios, esta tem sido a principal características desses quadrinhos que nada oferecem além daquela casinha lá no fundo do cenário e um gramado aos personagens. Até aí, tudo normal. A constatação ruim fica a cargo de que os desenhos não agradam. Aquelas caretas excessivas de olhos esbugalhados - completamente diferentes dos habituais - predominam durante grande parte nos quadrinhos da trama principal. Será tão difícil a alguém da diretoria da empresa entender que aquelas expressões não devem ser usadas tão levianamente justamente por serem muito distintas das tradicionais? Fica feio, fica "fake", fica chulo, fica um trabalho de quem nem parece saber que faz parte das produções do universo da turma da Mônica, pois dá a impressão que enfeitaram desenhos de amadores. Parece que o enredo realmente estava a ser bastante agradável, mas como levar para casa uma trama cujos desenhos não me simpatizo nenhum pouco? Fica difícil. Se ainda caprichassem um pouco no cenário, nas angulações, em alguns detalhes para compensar! Mas não! e o resto da revista nem me convém comentar já que trata-se do mesmo de sempre. Alguns núcleos até se salvam nessa empreitada, como os personagens do universo do Piteco e Penadinho que estão sempre a preencher boas páginas das revistas. Mas a questão é: eu não comprei uma revista do Penadinho. Assim, agradeço poder ainda me divertir com a turminha do cemitério, mas eu quero que essa diversão aconteça também com a Mônica, Cebolinha, Cascão, Magali e Chico Bento, já que estes personagens são quem encabeçam os principais títulos mensais

Hoje em dia, se não são as paródias muitas vezes oriundas de filmes como X-MEN, por exemplo, fica difícil encontrar algo que realmente valha a pena envolvendo a turma do bairro do limeiro. O número 100 está chegando. Não creio que haverá algo tão diferente do que está acontecendo até aqui, nas edições de 98. Uma pena! Os personagens ganharam um banho de realidade. Foram julgados sei lá por quem e condenados a viverem como sempre na enfadonha e simplória vilinha do limoeiro, onde nada demais acontece, todo mundo é sempre igual, tudo sempre é tão monótono. Quem tirou  a magia e a fantasia de suas vidas? Como tem sido chato esse mundo sem ilusão a essas crianças! Fica a esperança de que tudo mude a partir do número 101. Mas já não me sinto animado em esperar mais. Agora venho ficando como São Tomé: preciso ver para crer. Enquanto a turma da Mônica vai se distanciando cada vez mais da minha vida contemporânea, a Disney vai preenchendo essa lacuna aos poucos, pois lá sim, ainda dá para ver vários acontecimentos, boas aventuras, agitação, momentos diversos, gente boa, gente não tão boa assim, heróis atrapalhados e bandidos que insistem em usar até armas para conseguir o que almejam. Na minha vida sempre houve espaço para os dois - muitas vezes o espaço para as revistas do Mauricio de Sousa era até mesmo muito maior ao da Disney. Mas, fica aquela premissa tão conhecida: "Quem não dá assistência, abre concorrência." 

O número 100 está chegando. Certamente haverá boas capas sendo divulgadas na rede social da MSP. Mas, como ando meio inseguro, novamente irei passear em lugares onde possa folhear esses títulos com muita calma para saber se realmente valerá a pena trazer algum para minha casa. Acho que essa capa da Mônica 98 não poderia ilustrar melhor um adjetivo que tem caído como uma luva a essas edições atuais: "terrível".




15 comentários:

  1. Cara, que matéria foi essa! Excelente! Eu comprei esse gibi, e não achei tao mal, mas em comparação ao do Cebolinha, essa aí está anos-luz melhor. Esperava beeeeeeeeeeeem mais da aventura do Cebolinha, mas é só mais uma pra ficar na coleção e não ler mais. E olha que, vc me conhece, e sabe que é difícil eu odiar uma história.... É por isso que eu irei comprar todos os Almanaques de 2015, porque sei que os R$4,90 e os R$6,50 dos Temáticos investidos realmente valem a pena. Inclusive, o Almanaque do Chico Bento de fevereiro tem uma história de abertura de 1988, o que eu achei super legal.

    Abraços, e sempre postarei análises dos Almanaques do blog.

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    1. Oi, Matheus! estou de olho no seu blogue, com certeza você mesmo deve estar vendo isso nas estatísticas. Os almanaques nem sempre trazem algo tão bom, mas está ainda melhor que as mensais. O bom mesmo são os temáticos, apesar das mudanças. Pelo menos os que tenho aqui, misturam histórias bem antigas com algumas mais recentes, assim não fica um material tão uniforme que pode ser muito chato, mas podemos ter HQs bem antigas reunidas para nossa diversão.

      Um abraço e quando der, leia Disney também. Tem duas ótimas revistas mensais neste mês - Mickey e Pato Donald. Ambas com HQs muito boas e diálogos melhores até mesmo para sua redação.

      Até qualquer hora, meu grande amigo jornalista!

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    2. Pretendo ler Disney em breve.

      Abraços.

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  2. Bom, este é o primeiro comentário neste blog. Sempre achei que os desenhos da Turma da Mônica deixavam a desejar. Alguns roteiros até eram bons, como o d' A Volta do Capitão Feio e de Noite das Garotas e no caso de ambos, os personagens são mais expressivos. A partir da era Panini, eles melhoraram muito a qualidade gráfica das capas das revistas e as chamadas. Mas por dentro continuou a mesma coisa.
    Uma vez fiz parte de uma Oficina de Histórias em Quadrinhos. E um dos colegas me explicou que a MSP usa personagens já desenhados, apenas mudando características, como posição dos membros, boca, olhos, etc. É meio óbvio, já que vemos personagens perfeitinhos, simples e totalmente parecidos em várias histórias. Diferente de uma HQ Disney, onde você pode reconhecer facilmente o traço de Cavazzano, Dan Jipees, Don Rosa, Casty, etc. Os roteiros são muito fracos, os quadros são muito vazios (como um fundo rosa, arbustos e uma casa ao longe), as cores são sempre as mesmas, nada vivas e os diálogos são muito simples. Tá certo que é mais voltada pras crianças, mas isso não é desculpa, pois já li ótimas histórias dos Flintstones, Tom e Jerry, etc. (que infelizmente a Abril não publica mais).
    Resumindo, foi por isso que resolvi parar de colecionar Turma da Mônica. Investi pesado nas da Disney apenas, e eventualmente em algum mangá interessante.

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    1. Agradeço ao seu comentário, Rogell. Não é de hoje que ouço cada vez mais pessoas dizendo que os desenhos já são meio que "feitos" e que só mudam algumas coisinhas entre um e outro. Ainda bem que a Disney, por mais que digitalize seus desenhos, ainda sabemos que são feitos pelos desenhistas, quadro a quadro, sem essa história de pegar algo digitalizado para reaproveitar no quadrinhos posteriores. Pelo menos, nunca ouvi falar que a Disney está fazendo isso em suas revistas.

      Estou cada vez mais decepcionado com a turma a Mônica. Reluto em deixar de comprar por apego aos personagens e porque às vezes até encontra-se algo bacana. Mas está difícil, cada vez mais difícil seguir, principalmente quando vemos o capricho e esmero da Disney em coisas básicas como o cenário que mostra uma casa de verdade, ruas e não apenas aquele gramadinho tão básico na MSP. Estamos em 2015 e os desenhos da turma estão péssimos, as histórias são cheias de "não me toques - isso não pode colocar". Está difícil mesmo! Não sei até quando procurarei ver material do Mauricio. Aos poucos, meu sentimento pelas revistas está indo embora. E como eu afirmei na reportagem, a Disney tem suprido cada vez mais essa lacuna.

      Um abraço e obrigado pela presença do seu comentário aqui.

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    2. Os traços desse jeito desanima qualquer um mesmo. Eu folheei esse da Mônica nas bancas, tbm não vi nada demais. Pelo menos achei os traços um pouco melhores q as outras revistas, só pq foram feitos a mão, mas as caretas exageradas estragam muito.

      Uma pena os gibis estarem a esse nível. Como vc gosta de comprar gibis novos, sugiro comprar almanaques em vez das mensais, apesar das alterações q costumam ter... vai ganhar mais.

      Falando em almanaque, o do Chico Bento desse mês tá muito bom... todas as hqs do Chico desse almanaque foram hqs de abertura originais de 1988 e 89.

      A de abertura foi "Quanta coisa acontece" de CHB 48, de 1988... hq excelente, envolve senhor do tempo, diabinho, traços maravilhosos. colocaram uma com o Chico contracenando com o Piteco, de CHB 34, "Chitãozó e Xorurinho", de CHB 46 e muito mais. Na verdade foram 6 hqs de abertura, originais de CHB nº 34, 38, 46, 48, 53 e 68.

      As hqs dos secundários como Piteco, Papa-Capim, Turma da Mata q foram do final dos anos 90 em diante, mas as do Chico compensa. Esse sim vc devia comprar e deixar mensais de lado. Abraços

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    3. Ancioso para comprar este Almanaque.

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    4. Diga pra gente quando você comprar. O mesmo farei eu.

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    5. Eu é que agradeço pelo comentário, meu caro. Realmente, a Disney está tendo um trabalhão imenso. Tanto décadas atrás, com Don Rosa, por exemplo, como agora, com todos os artistas italianos, como Francesco D'Ippolito, desenhando tão perfeitamente junto a Cavazzano e outros mestres as séries do DonaldDuplo.

      Marcos, já que você falou em almanaque, pelo menos na época da Globo, as melhores histórias eu encontrava em almanaques (até porque na introdução eles sempre dizem que o almanaque é uma "republicação das melhores histórias".

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    6. Direi sim, Fabiano! Mas vou postar em Março uma análise mais detalhada, abraços.

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    7. Rogell, espero que o Marcos leia teu comentário aqui. Na Disney, gosto muito do Cavazzano, Marco Rota e muitos outros. Abraços.

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      Matheus, que bom! Vou esperar! Um abraço!

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    8. "Marcos, já que você falou em almanaque, pelo menos na época da Globo, as melhores histórias eu encontrava em almanaques (até porque na introdução eles sempre dizem que o almanaque é uma "republicação das melhores histórias"."

      Rogell Paradox, apesar de informarem "republicação de melhores histórias", quase todas as hqs do final dos anos 70 e todo anos 80 foram republicadas na Globo. Mas, convenhamos praticamente todas as hqs daquela época eram boas e aí faz sentido de quase todas terem sido republicadas, fazendo juz ao nome "melhores histórias".

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  3. Essas mudanças cada vez piores na TM são de decepcionar qualquer um, primeiro essas caretas, que me irritam cada vez mais, usar algumas vezes, apenas em determinados momentos, tudo bem! o problema é que agora abusam, nas mensais mais recentes que tenho aqui em algumas páginas as caretas aparecem mais do que o traço comum da turma, ficando uma coisa feia, irritante. Almanaques eu abandonei quase por completo, pois não consigo engolir certas alterações, claro que todas são ruins, mas as vezes exageram, chegando a redesenhar determinadas cenas. Enfim, da MSP atualmente, só compro Graphic MSP, algumas edições do Chico moço e CHTM, de resto só poucas exceções, como algumas especiais, tipo a Magali 500 e as edições 100 que pretendo comprar. Não vejo mais melhora, do jeito que tá é só pra piorar, quando a gente acha que já tá ruim, a MSP acha um jeito de piorar mais.
    Abraços!

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    1. Não vejo com bons olhos o conteúdo das numero 100. Se colocarem algo muito diferente do habitual, vou começar a pensar em senvergonhice deles. Mas provavelmente será nesse mesmo patamar. Vamos torcer ao menos para que não tenham essas tantas caretas ruins que povoaram os títulos nestes últimos dois meses.

      Um abraço.

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