quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

THE WALKING DEAD - ANUNCIADA A MORTE DE CARL


THE WALKING DEAD.COM.BR

"THE WALKING DEAD", a série, na minha opinião, não conseguiu decolar nesta oitava temporada.  O que acontece? Eu arrisco dizer que a direção está ruim. Sim, pois a direção é a responsável por cativar o expectador, pois é ali que estudam-se os ângulos, as tomadas, como são feitas determinadas cenas e o desenvolvimento dos acontecimentos. Houve muita ação e luta, porém, tais cenas não me transmitiram emoção nenhuma. Não me convenceram, não mexeram comigo, eu só queria que acabassem logo para saber o que viria depois. 

No oitavo episódio, Carl estava deprimido e queria se matar. Acho que não souberam focar essa questão muito bem. Michone o surpreendeu diante de um buraco. Mais adiante, ele chegou a pedir para que Negan o executasse. Nossa! Esse menino foi tão expressivo quanto uma porta. E os lances de câmera não souberam valorizar a dramaticidade ao momento. Tinham que ter dado "closes" maiores no garoto, cuidado mais do seu olhar e da sonoplastia também, propiciado um clima melancólico ou perturbador para a gente, mas tudo se resumiu a tomadas genéricas. Parece até que os responsáveis pelo seriado o fizeram sem vontade alguma, pois a emoção (quando tem alguma) é mal aproveitada, minimizada, desperdiçada, muito aquém do que poderia ser.

Eu não sei quantos episódios ainda restam para esta temporada. Suponho que esteja na metade. E não vejo uma luz no fim desse túnel. Impressionante constatar como Rick e Michone, de repente, perderam a importância e se tornaram pessoas aparentemente sem o enfoque de antes, sem capacidade de liderança e iniciativa própria. Principalmente ela, que já foi muito agressiva no início, agora parece um cãozinho adestrado. Carol, por enquanto, é a que ainda salva alguma coisa. Devia ser chamada de Mulher MacGyver (no bom sentido). Negan também não está mal. É ele quem tem segurado os melhores lances. Mas ele tem aparecido como se fosse apenas uma degustação para algo mais... que acaba não vindo. 

O capítulo terminou com Carl mostrando seu ferimento ao pai, Rick. Já pesquisei um pouco na Internet e há a confirmação de que o personagem vai mesmo morrer. O ator parece não ter gostado da ideia, pois deu umas declarações à mídia dizendo-se surpreso, perplexo, que gostaria que o destino fosse outro. Há rumores de que o ator de Rick está pedindo para sair. Por enquanto, quem morre é Carl, o filho. Se o pai irá morrer também, ou apenas substituído por outro ator, ninguém sabe ainda.

Pelo jeito, não há muito o que se esperar até o final da temporada. Os fatos marcantes até aqui foram a morte de Sheeva, a tigresa de Ezequiel (um personagem que devia ser melhor trabalhado), e agora o suicídio(?) de Carl. Nada mais chamou a atenção, pois, como disse, as cenas de luta deixaram a desejar e os momentos entre eles não acrescentaram nada. Vamos ver até quando Carol e Negan conseguirão segurar nossas expectativas, pois estão levando a temporada toda nas costas.


terça-feira, 12 de dezembro de 2017

PAPO SÉRIO - OS QUADRINHOS NOSSOS DE CADA DIA (PARE DE JOGAR DINHEIRO FORA!)



A Abril Jovem vai lançar logo no começo de 2018 uma novidade: é um tipo de revista em quadrinhos entre o padrão luxo e o formatinho. As edições que terão em um tamanho maior ao formatinho, páginas branquinhas, mas não serão em capa dura e nem papel couché. A capa é cartão e as páginas são do papel branco de sempre, o "offset" (nem sei se é assim que se escreve), que é o tal do sulfite comum ou bem similar a ele.

Essas revistas, a priori, não trarão nenhuma grande novidade para quem já lê e conhece os quadrinhos Disney muito bem, de longa data. Na verdade, o que eles farão é dar vida a uma espécie de almanaque temático com um padrão melhorado. Eles vão pegar um tema e fazer tal edição. E assim suscetivamente. 

Um dos primeiros a sair será o do Superpato, e já anunciaram que trará as três primeiras histórias do herói. Agora não entendi se as três primeiras histórias serão as que foram publicadas em ordem, na época das suas primeiras exibições por aqui, ou as três primeiras HQs cronológicas da História do personagem, ou se são as três HQs que narram a sua origem.

Na verdade, o que me motivou a escrever esta postagem foi ter lido um blogue de uma pessoa bem especial que falou sobre o lançamento e disse que já tem tais histórias e pretende comprar o lançamento assim mesmo. Fiquei pensando em quantos amigos farão exatamente a mesma coisa: "já tenho a HQ, mas vou comprar porque o padrão da revista me interessa". Eu sei que não tenho nada a ver com a vida de ninguém, por isso resolvi vir aqui, no meu canto, escrever o que eu quiser. E aqui eu posso expor meu pensamento de que às vezes eu acho que essas pessoas simplesmente jogam dinheiro fora.


A vida é muito curta. Muitos de nós não temos um dia a dia nada fácil, temos que lidar com um emprego ruim, mal remunerado, encheção de saco, vários perrengues ao longo do dia - e até há os que lidam com doenças crônicas e/ou incuráveis, então, eu penso, que valeria mais a pena gastar esse dinheiro com aquela(s) pessoas(s) que faz(em) parte da nossa vida, seja alguém que está ao nosso lado ou da nossa família, até mesmo os amigos mais chegados e que sabemos que não nos virarão as costas porque o contato vem de anos, mesmo brigando e pentelhando, a amizade continua. 

A editora agora lançará uma porrada dessas revistas, que nada mais são do que as mesmas histórias de sempre, só que em outro padrão de formato. No lugar de aquirir mais do mesmo, pega esse dinheiro e vai levar a(o) companheira(o) para sair. Vão ao cinema, à lanchonete, ao barzinho da esquina. Você pode também fazer um agrado aos seus "velhos" indo visitá-los, levando uma comida especial a eles ou um belo presente que sabe que eles vão gostar... ou simplesmente planejar investir um fim de semana com eles.


Você é sozinho na vida? Ok. Invista em você, então. Compre uma roupa nova, um calçado, pague aquela dívida, vai tomar um sorvete. Gente sozinha também vai ao cinema. Quer radicalizar? Vai a algum lugar "diferenciado" e "caliente" e seja feliz ou, então, já que tem dinheiro sobrando mesmo, doe ele a uma entidade, uma organização de ajuda a alguma causa, seja uma ONG ou um asilo, tenho certeza de que é uma forma diferente de usar seu suado dinheiro. Faça o que quiser, mas pense um pouco antes de adquirir mais material do mesmo. Sabemos que a vida não é fácil e que nem sempre gozamos de boa saúde, então, eu fico vendo esse pessoal investindo em quadrinhos que já possuem, apenas por questão estética, e fico abismado. Será que crescemos mesmo? Muitos de nós estamos agindo como crianças grandes e mimadas, onde uma revistinha qualquer parece tão especial e importante, muito mais do que dar atenção a quem está conosco ou a quem se importa com a gente e nos deu a vida. 

Não é o caso desse amigo, mas eu tive que sair de alguns grupos de quadrinhos, recentemente, porque eu não aguentava mais os papos dos marmanjos barbados agindo como bebês chorões por causa de verdadeiras bobagens que eles próprios inventam nesse mundo do colecionismo de quadrinhos. É cada assunto besta que dá tanto pano pra manga, que fico pensando que fazemos por merecer esse destino cruel de políticos que estão mandando as pessoas para o tronco, feito escravos, afinal, ninguém se manifesta com o preço do gás, da gasolina, da energia elétrica, da internet e do telefone fixo que nem é usado mais e ainda é cobrado todo santo mês. Mas esses caras dão um verdadeiro chilique diante de uma revista de HQ por motivos tão fúteis. A grande verdade é essa: um bando de gente fútil que acha que vivem numa Disneylandia quando estamos mais próximos do que nunca de uma realidade Walking Dead. 


Veja bem! Eu não sou contra o consumo em demasia de HQs. O dinheiro é da pessoa, ela faz o que bem quiser. Eu só acho que ela joga dinheiro fora quando compra sempre o mesmo material com uma "cara" diferente. E muitos só fazem isso para ganharem tapinhas nas costas dos membros da turminha que participam. Pega esse dinheiro, compre um mundo de quadrinhos, mas aqueles quadrinhos que você ainda não tem. Tem tanta gente boa nesse mercado de HQs e que rala tanto para dar o melhor de si na produção de uma revista, essas pessoas só precisam que alguém pare de comprar a mesma história de sempre e resolva conhecer os trabalhos delas. E olha que tem um povo muito talentoso por aí. Até o Mauricio de Sousa já abriu as portas para esse pessoal, mas você ainda tem a mente fechada e focada no microcosmo onde alguns, por tática, por estratégia, insistem em manter você. Não, amigão, não permaneça ali, fincado naquele mesmo lugarzinho e com aquelas ratazanas obcecadas. 

A vida é muito curta e o nosso mundo nerd é tão vasto e cheio de entretenimento! Compre quadrinhos que você não tem. Ou empregue seu dinheiro em outra coisa: sua mulher, seu companheiro, seus amigos, um churrasco com a família ou um jantar na churrascaria, um instante gostoso e íntimo com alguém. Só se vive uma vez. E cada segundo que passa jamais retornará. Ame sim os seus quadrinhos. Mas ame também tantas outras coisas que você pode desfrutar. Aproveite melhor a sua vida. 





domingo, 10 de dezembro de 2017

RESENHA - UM BRINDE À AMIZADE


"UM BRINDE À AMIZADE" é um filme que subestimei, talvez, pela forma como a sinopse foi apresentada para sua divulgação na Globo, deixando a impressão que fosse um besteirol de comédia romântica e, para minha surpresa, é uma produção bem melhor. 


A trama gira em torno de quatro personagens principais que na verdade são dois casais. Kate & Chris e Luke & Jill. Kate é amiga de Luke na fábrica de cervejas onde trabalham. Eles ficam juntos na maior palhaçada o tempo todo. Luke é muito brincalhão, aquele cara que faz gozação sem limites. Então, desde logo a gente vai assistindo a tendo a percepção de que há uma certa química entre os dois. Mas Kate é namorada de Chris, um homem completamente o oposto de Luke. Chris é formal e introvertido, não tem vocação para animar as pessoas. É um homem que vive sério e não é de gargalhar facilmente com qualquer um. A gente tem a impressão de que Chris é meio chato e sem graça, um tanto monótono. Então, ficamos nos perguntando o que uma garota como Kate, que vive sorrindo e brincando com todos na fábrica de cerveja (e sempre na companhia do seu amigão Luke) faz com um homem como Chris.

Não demora muito e Kate logo dá um jeito de levar Luke à intimidade de sua vida com Chris. Ela o convence a passarem um final de semana juntos em um lugar muito bom para relaxar, com praia, uma mata com uma trilha para caminhadas, um cenário paradisíaco e pouco populoso. Luke leva sua namorada Jill e os quatro convivem durante todo o final de semana. O que acontece é que vemos Kate e Luke muito à vontade sem seus pares. Rola química, eles brincam bastante um com o outro, a todo momento. Jill e Chris, mais fechados e "certinhos", cheios de preceitos e com mania de ordem e disciplina, acabam ficando juntos em vários momentos. Chega uma hora em que osdois estão caminhando pela trilha da mata enquanto Kate e Luke continuam no maior "happy day". Jill e Chris preparam um piquenique e então se beijam. "Agora começará a troca de casal", podemos pensar. Chirs e Jill já brincaram no mato, agora só falta Kate e Luke também se entregarem à química. Para a minha surpresa, isso não aconteceu. E que bom, pois estava começando a achar tudo muito previsível. 

Quando retornam aos seus lares, Chris termina com Kate. Ela surte no dia seguinte, no serviço, anunciando sua liberdade e solteirice a todos os homens da fábrica. "Então, agora, Luke a pega de jeito e acontece alguma coisa", a gente pensa. Não. Ele não faz nada, embora fica muito mexido com a situação. "Então, Luke vai terminar com Jill e assumir seu amor por Kate", a gente pensa. E começam as cenas entre Luke e Jill, deixando-nos na maior expectativa. Eles falam do relacionamento sólido entre eles, tantos anos juntos e nada de casamento. Ela cobra uma posição dele para se casarem, e ele até diz que quer, mas não fica entusiasmado. E ela queria que ele tomasse a iniciativa de marcar data e ficasse todo eufórico para que ela fosse correndo em busca dos preparativos. Mas ele, apesar de concordar com ela, fica morno. Olha para ela com um certo ar de que não acredita no casamento, de que eles não seria mais felizes se casassem formalmente, pois já moravam juntos há tempos, então, para ele não havia necessidade. O tempo todo somos levados a pensar que ele ia dizer para Jill que queria terminar tudo com ela, mas isso não acontece. Ele demonstra gostar de Jill, mesmo estando claro o abismo de temperamento entre um e outro. Ele todo malucão, um crianção, e ela uma esposinha que é meio Amélia, sempre com um visual sóbrio, voz e gestos controlados e discretos, mantendo o lar sempre em ordem. 

Kate procura Chris. Somos levados a pensar que eles vão reatar, já que não aconteceu nada entre ela e Luke. Acontece que Chris, com muito jeito e sensibilidade de um iceberg dá um fora nela. Acabou mesmo, e ela não tinha mais que aparecer toda bêbada em sua casa para lhe arreganhar as pernas e filar a jantar que ele normalmente deixava preparada para ambos. 

Frustrada, ela resolve se mudar, pois não aguentar viver na imensidão do seu "apê". Luke, seu fiel amigo e escudeiro, desde já, prontifica-se a ajudá-la. Chegando na morada dela a fim de arrumarem as coisas para a mudança, constatamos uma coisa que vai mudando o nosso conceito a respeito de Kate. Ela não dava a mínima para o seu lar. Havia decoração de um aniversário que já tinha acontecido há séculos, com o bolo ainda em pedaços pela casa, e tudo revirado e bagunçado. Luke começa a ajudá-la na arrumação das coisas, pois seria preciso retirar toda aquela bagunça, limpar tudo o que estava sujo para finalmente empacotarem e preparem a mudança. Acontece que ele acaba ficando com quase tudo nas costas. Chega um ponto que começamos ter raiva de Kate, pois Luke, cansado, pergunta se tinha alguma comida, e ela simplesmente diz que não. Então tá! Você vira diarista da sua amiga o dia todo, tá no maior prego e na hora de comer alguma coisa qualquer, ela nem diz "vou fazer um miojo" ou "tenho uns biscoitos aqui" ou "posso ver se fritos uns ovos". ela simplesmente diz "não". E o cara acaba adormecendo em um instante qualquer, trêbado, porque a sua amiga não tem um bolacha água e sal em casa, mas a cerveja tem de sobra, aos montes, essa nunca falta. Começamos a perceber que ela, além de ser uma mulher desligada e relaxada, e que só queria amizade das pessoas na base do "venha a nós", também era baixa a tal ponto em que deitou-se ao lado do amigo, apagado de cansaço, fome e bebida, e o abraçou na cintura, deixando-nos entender que aconteceria alguma coisa entre eles, e nós certamente não iríamos ver.

A cena mostra um tempo depois, o cara já acordado e pronto para carregar as coisas para fora. Eles carregam um sofá e Luke machuca sua mão na ponta de um prego que havia no sofá. Até aí, tudo normal. Acontece mesmo de encontrarmos pregos em sofás, poltronas e camas. Só que Kate simplesmente não faz nada porque a bonita tem aversão a sangue. O cara fica desesperado com sua mão sangrando horrores e pede para que ela o ajude, pelo amor de Deus, e a linda fica histérica com o tal do sangue e nada faz. Então começamos a perceber que aquela química que havia entre eles no começo, aquele bem querer todo, na verdade, só existia porque ele se dispunha a adulá-la o tempo todo. Ele era "o cara" para ela, e ela adorava, porém, agora vemos que ela não pensava em corresponder à altura. 

O ápice dessa situação desconfortável culminou no momento em que, após a mudança (finalizada por causa de um outro amigo de trabalho, que veio ajudar, já que a mão de Luke ainda causava muita dor), Luke e Kate discutiram pra valer no cafofo novo dela. O amigo deles, ao ir embora, disse a Kate  que a turma toda do serviço estaria no bar de sempre e que seria legal se  ela aparecesse por lá naquela noite. Ela estava toda feliz, radiante, e não via a hora de poder encontrar a galera do serviço no bar, mais tarde. Luke a lembrou do que os dois combinaram mais cedo, de irem jantar fora em um lugar diferente, somente ele e ela. Então, ela se recusou a cumprir com o combinado, disse que estava mais a fim de ficar no bar, como sempre fizeram, e ele começou a ver, então, quem realmente ela era: uma mulher que gostava de ser adulada, gostava de ser o centro das atenções, e que não tinha respeito e consideração por ninguém, já que ele estivera o tempo todo ali, ajudando-a com aquela mudança que machucou profundamente sua mão, sem comer nada, sem sequer arranjar os primeiros socorros,  ela simplesmente não deu valor a nada daquilo, pois preferiu jogar a lealdade de Luke para o alto em troca de uma noitada de bar com um punhado de homens à sua volta. Uma noitada como sempre tinham. Uma noitada como vinha sendo tantas, sempre. Por que, pelo menos aquele dia, em consideração a tudo o que ele sempre representou a ela, ela não podia deixar aquela noitada de lado? Porque ela era fútil. Ela não o tinha com o mesmo grau de reciprocidade. Ela não entendeu a consideração que ele tinha. Ela não entendia nada sobre companheirismo e respeito.Então a gente vai encaixando as penas, lembrando de pedaços durante o filme todo, e a gente percebe que ela se insinuou para ele o tempo todo. E o pior: a gente também percebe que ele notava, mas o sentimento que ele tinha por ela até poderia ser amor, mas ele era fiel a ela. E ela só queria se divertir.

Começamos a sentir uma pontada no peito, desde então, porque torcíamos para que os dois ficassem juntos como namorados e, agora, vemos que estávamos completamente enganados. Que isso seria um erro muito grande, pois ele era um homem amoroso, não traíra a esposa, ao contrário, amava-a e não jogou em cima dela as inseguranças de seus sentimentos sobre Kate. Sempre a respeitava e estava sempre ali, como seu companheiro. Enquanto Kate era leviana. Não que ela fosse uma má pessoa. Kate não era má pessoa, mas apenas uma mulher que não estava à altura de Luke. Talvez, se Kate tivesse ido jantar com ele como combinaram, se ela tivesse demonstrado esforço em socorrê-lo quando ele mais precisou dela, se ela tivesse demonstrado um pouco de consideração por ele enquanto e matava o dia todo para ajudá-la com a mudança, talvez Luke terminaria com Jill e se entregaria a Kate. Mas ela não era pessoa que ele pensou. Deu para perceber isso quando ele voltou à sua casa e descobriu que Jill já estava lá, à sua espera. Ela não tinha mais ido viajar, como dissera, e ele ficou aliviado por vê-la, pois reconhecera nela a mulher que realmente era companheira dela, alguém diferente dele que, juntos, iriam acrescentar algo um ao outro. Talvez, ele dando mais alegria e cor na vida dela com seu jeito todo moleque e bagunçado de ser. E Jill sendo a esposa que ia mostrar que a vida também exige um pouco de razão, ordem e disciplina. 

Então, logo após aquele instante de felicidade do casal, chegara o momento fatídico: Jill não foi viajar porque decidiu, primeiro, contar ao namorido o que rolou entre ela e Chris, durante o piquenique na mata, naquele final de semana. E ela contou. E ele entendeu. Ah! Ele entendeu. E  o que ele fez? Compreendeu que tudo não passara de um instante de fraqueza dela, beijou-a e disse que estava tudo bem. E aquele beijo foi mais do que uma compreensão pelo que ela fez, também fora um reconhecimento de que eles eram um casal, e ninguém mais mudaria isso. É bom lembrar que ele também não foi santo. Quando desmaiou na cama de Kate, após ajudá-la na mudança, ter se embebedado todo e não ter nada para comer, lembramos que Kate deitou-se ao seu lado e colocou a mão em sua cintura. Na discussão entre ele e Kate, a situação veio à tona. Ele disse que a respeitara, que não traíra sua esposa, como ela (Kate) gostaria que tivesse acontecido. Kate lembrou dos dois na cama e ele enfatizou que havia apagado e ela foi lá, dar pra ele. E ela, escandalizada, acrescentou: "eu fui mesmo, e você aceitou". Então, vemos que realmente houve algo além daquela cena. Algo que não vimos, mas sentimos que ia acontecer.

Quando Jill voltou para casa e contou a Luke sobre ela e Chris, com certeza, muita coisa veio à mente de Luke e isso fez com que ele visse que todos são propensos a fraquezas, principalmente quando se envolvem com pessoas que os levam a isso. Não ficou muito clara essa viagem de Jill. Na verdade, o que EU achei foi que ela arrumou a desculpa da viagem para passar uns dias com Chris. Ela não queria que Luke sequer desconfiasse dessa hipótese, por isso inventou a tal viagem, pois foi bem curioso esse assunto surgir logo após Luke contar a ela que Chris tinha largado de Kate. Jill ficou toda mexida e veio logo inventando essa viagem. Daí, o que EU ACHO que houve foi que Chris não correspondeu às suas expectativas. Ela tomou um toco e voltou com o rabinho no meio das pernas. O filme não mostra nada disso, mas dá para imaginar essa possibilidade. Outra hipótese: Jill ia se entregar a Chris, mas estava muito confusa sobre se seria correto fazer isso com Luke, afinal, ela sempre foi toda certinha com tudo na vida e ele era sua maio razão de viver. Valia a pena mentir uma viagem? Ela decidiu voltar e abrir o jogo com ele. Se ele rodasse a baiana e terminasse com ela, então correria com a consciência tranquila para os braços de Chris. Como ele a perdoou, a beijou, a encheu de carinho, ela percebeu que estava prestes a fazer um burrada. foi uma espécie de sinal que ela talvez tenha enxergado. Eu não acredito muito nesta segunda hipótese, mas o isso ficou em aberto, então, a nossa imaginação acaba pensando um monte de coisas.

O fim mostra Kate em mais um dia de trabalho, arrasada com a perda da amizade de Luke. No almoço, estava sozinha e cabisbaixa. Então alguém se aproxima e lhe faz companhia. Era Luke, o velho Luke que perdoara a esposa, que entendera as fraquezas de todo mundo, estava ali, mostrando a Kate que ainda era seu amigo. E o filme termina fazendo jus ao nome: "UM BRINDE À AMIZADE". 

Devo dizer que foi uma produção muito bonita. É difícil o cinema fazer algo sobre relacionamentos que realmente preste. Muitas vezes, acabam exagerando no drama, no clichê, na previsibilidade, ou colocam situações surreais, ou apelam para um lado cômico e banal que não tem nada a ver. Esse filme foi leve, mas teve bastante razão e sensibilidade. É para quem sabe que um pingo é letra. Filmes parecidos com este e que valem a pena serem vistos são "CLOSER - PERTO DEMAIS" e "FERRUGEM E OSSO".  

Os quatro personagens foram interpretados por:

KATE - Olivia Wilde
LUKE - Jake Johnson
JILL - Anna Kendrick
CHRIS - Ron Livingston

Olivia Wilde & Ron Livingston, como KATE & CHRIS

Jake Johnson e Anna Kendrick, como LUKE & JILL

Saiba mais sobre filme aqui